17 de mai. de 2011

Mudar o modelo salva a lavoura?



A Câmara Municipal de Uibaí não mudou apenas de dono na eleição de janeiro. Mudou de perspectiva. Todos aqueles que compareceram no dia sete de maio à apresentação teatral e musical do grupo de Pita, Ari e Tiú Rocha devem ter sentido o espaço do plenário da casa mais arejado, mais aconchegante. É o poder da arte. E os artistas de Uibaí e a nova mesa diretora encabeçada pelo vereador Davi estão de parabéns pela iniciativa.
Entretanto, o que não deu o que falar, mas mereceria ser objeto de debate era o conteúdo da fala do vereador Davi nas rádios regionais. As aparências chamam a atenção: implantar um novo modelo de gestão baseado na transparência, na ética, no bom uso do dinheiro público e no compromisso com a educação e cultura do povo catingueiro de Uibaí. Há quem queira até perceber nisso uma rivalização com o modelo autocrático e centralizador de Pedro Rocha Filho à frente da Prefeitura. Entretanto, o conteúdo fundamental ainda há de ser modificado na gestão da Câmara.
Se o assédio moral e o autoritarismo dos tempos do presidente Luís Machado são coisa do passado, assim como a sua postura canina de lambedor de botas da prefeitura, não podemos negar o avanço que ocorreu. Porém, vamos sugerir algumas propostas para uma nova gestão pública, que seja transparente e comprometida com a cultura. Mas também que seja democrática e participativa, palavras que estão ausentes do discurso do vereador Davi.
Primeiro, propomos que a Câmara faça uma parceria com a Prefeitura para usar o transporte escolar para trazer jovens e cidadãos da vila e dos povoados para a Câmara Cultural. A organização poderia ficar por conta de professores, lideranças e ativistas dos povoados e o transporte poderia ser rotativo: essa semana traz o pessoal de Poço, Boca D’água, Chapadinha. No outro evento, traz o pessoal de Caldeirão e Lagoinha, depois Quixabeira e Hidrolândia, e assim sucessivamente.
Segundo, propomos a equiparação do salário dos servidores da Câmara com o vencimento dos vereadores. Ou o salário mínimo dos primeiros sobe para os mais de três dos legisladores, ou os mesmos podem receber também o equivalente ao salário mínimo. Acreditamos que se a Câmara pretende deixar de ser um “cabide de empregos”, poderia começar eliminando os vereadores que estão lá pelos três contos embolsados sem esforço algum. Também aí se valoriza os servidores públicos.
Terceiro, propomos que o legislativo promova a construção de plebiscitos sobre temas importantes do município.
Por fim, propomos a realização de um ciclo de debates com participação de especialistas, intelectuais, lideranças políticas de situação e oposições sobre temas como saúde, agricultura, ecologia, cooperativismo, desemprego, etc.São ações que tornariam nossa Câmara motivo de orgulho dos cidadãos uibaienses e certamente dariam destaque à nossa cidade no terreno da cidadania. Afinal, os problemas de nossa sociedade não serão resolvidos somente por um modelo de gestão administrativa que seja eficiente e poupador de gastos públicos, mas por um modo de governar em que se “manda, obedecendo” comprometido com uma sociedade civil auto-regulada e com a emancipação humana.

5 de mai. de 2011

Arte na Canabrava



CONVITE ESPECIAL



Amigos e amigas, participem do lançamento do projeto Câmara Cultural - Uibaí, 50 anos.



O projeto é uma parceria da TRUPE VERSO E CORDA com a Câmara Municipal de Uibaí.



Quando? Sábado, 7 de maio de 2011 às 19:30h.






Onde? Na Câmara Municipal de Uibaí.






O que vai ter lá? Música, poesia, desafio de bardos, teatro, exposição de fotos e muito mais.



Tudo arte genuinamente uibaiense.






Obs: Teremos duas edições deste projeto a cada mês, com a TRUPE e convidados.






Nos veremos lá!






Saudações



Pita Paiva

Aniversário de Irecê: a falsa polêmica



A data de aniversário de Irecê é um falso problema, não representando nenhum mistério. É público que Irecê foi emancipada em 02 de março de 1926 pelo governador Francisco Marques de Góes Calmom. Caraíbas foi elevada a vila em 1910. A razão da emancipação em 1926 foi o conflito pela disputa da intendência de Morro do Chapéu entre Teotônio Marques Dourado Filho e Antônio da Souza Benta. Após tensa eleição em 1924 com vitória para Tiozinho e cerco de Morro por jagunços de Benta, em 1926 houve a realização de eleições separadas onde cada partido se autodeclarava vitorioso. Para resolver o impasse, o governo estadual dividiu o município em dois: Morro do Chapéu iria para as mãos do grupo de Antônio Benta e o novo município, com sede em Caraíbas de Hermógenes, denominado Irecê, passaria às mãos da família Dourado. Os detalhes da história podem ser encontradas na dissertação de mestrado de Jedean Gomes Leite intitulada “Terra do frio”: coroneis de sangue quente? disponível na internet.
Ocorre que a chamada “revolução” de 1930, que levou ao poder Getúlio Vargas, tomou medidas ultracentralizadoras para administração do país e do Estado da Bahia. A extinção dos municípios já havia acontecido em Campestre e em Barra do Mendes, quando os coroneis Manuel Frabrício de Oliveira e Militão Rodrigues Coelho, derrotados pelas milícias de Horácio de Matos, foram alijados do poder político com a suspensão de seus municípios que visava o enfraquecimento de seus líderes. Com uma canetada só o interventor Artur Neiva riscou do mapa uma série de municípios através do Decreto número 7479 de 8 de julho de 1931. Entre eles temos Jaguaribe, Guaray, Uauá, Cumbe e Irecê.
Porém, Juracy Magalhães, cearense, interventor na Bahia sabia que para conseguir a plena hegemonia política era preciso cativar os líderes do interior e com o Decreto número 8.452 de 31 de maio de 1933 reestabelece alguns dos municípios extintos. Entre eles, Irecê, que havia sido reduzida a sub-prefeitura de Morro do Chapéu.
Desse modo, conclui-se que Irecê se emancipou de Morro do Chapéu em 1926, foi reduzido a sub-prefeitura em 1931 e re-estabelecido em 1933. A escolha de data de emancipação “correta” é uma questão política que envolve alguns interesses e não é somente uma questão técnica de estabelecer a verdade histórica. Vejamos ligeiramente os interesses.
Adélio Dourado, em seu livro Família Dourado, diz que dois de agosto de 1926 é a data de “criação do município de Irecê” (p. 18). Essa data remete ao conflito entre os Dourados e Antônio Benta. O simbolismo da data para a família Dourado é enorme, já que a emancipação política é apresentada como uma vitória de Tiozinho – o pacifista – contra Benta, chefe de jagunços. Na verdade, a emancipação foi um acordo de coroneis que dividiram o município para cada qual mandar em seu pedaço.
Jackson Rubem em seu livro Irecê: história, casos e lendas coloca a data de emancipação como uma polêmica. Mas na verdade, no fim dos anos 1980, Reynaldo La Banca em seu trabalho Monografia história. Capital do feijão e da mamona. Irecê-Ba já descrevia em detalhes a “Emancipação de Irecê” em 1926 e a “Reinstalação municipal” de 1933. Não há, pois problema.
Irecê teve sua estrutura administrativa municipal instalada duas vezes, como Cotegipe, Barra do Mendes, Uauá e Monte Alto. Não há mistério nisso. Os documentos que comprovam isso são leis estaduais, ou seja, registros públicos. O jornal Correio do Sertão de Morro do Chapéu noticia os fatos. E a coleção dos jornais entre 1917-1940 já foi disponibilizada em forma digital por professores e pesquisadores vinculados ao Campus IV da Uneb em Jacobina. Não há problema, portanto, de falta de registros. Porém, a história de Irecê ainda está por ser escrita.Cidade instalada duas vezes, Irecê tem duas datas (dois de agosto e 31 de março) simbólicas, uma de emancipação e uma de reinstalação. Nenhuma das duas representa simbolicamente um acontecimento muito importante, já que a primeira foi um acordo de coroneis para cada qual ficar com seu curral eleitoral e a segunda um ato administrativo de um interventor autoritário que queria agradar chefes locais e trazê-los para debaixo de sua saia. Não houve movimentação popular para nenhuma das datas. Debater outros problemas como as articulações políticas para trazer para o município benefícios como estradas, recursos públicos, maquinário, crédito, escolas, poços, etc., polemizar sobre os males que o desenvolvimento capitalista trouxe para nossa região e discutir se existe realmente uma “reforma agrária natural” na região de Irecê são mais importantes do que polêmicas vazias de um problema que já se resolveu.

4 de mai. de 2011

A PODEROSA E ESCRôTA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

O complexo industrial farmacêutico

Por Ari de Oliveira Zenha
A poderosa indústria farmacêutica adquiriu ao longo do desenvolvimento do capitalismo força e importância incalculável na sociedade mundial. Seu poder político e econômico é avassalador, pois sua atividade está ligada a uma das necessidades básicas dos seres humanos, a saúde, ou seja, a superação das doenças e dos m
ales que afetam as pessoas.

Os laboratórios farmacêuticos, cuja sede está localizada nos Estados Unidos e Europa, tentam garantir, a todo custo - e, aí vale qualquer artifício - seus lucros, que são expressivos, de qualquer forma. A produção de medicamentos se tornou um negócio como outro qualquer, como produzir sapatos, automóveis e outros bens de consumo. O que prevalece é a busca de lucros cada vez maiores, não importando que para isso ela tenha que subornar, colocar centenas de lobistas no Congresso dos países, deixar de fabricar determinados medicamentos que não são rentáveis, não investirem quase nada em Pesquisa e Desenvolvimento de novos remédios, pois isto requer anos de pesquisa e muitas vezes levam ao fracasso.

Os investimentos numa nova droga – medicamento – podem levar a nada. Isto faz com que essas empresas aleguem ter altos custos para a produção de medicamentos que salvam vidas, e aí, mora uma grande astúcia deste setor: elas recebem elevados subsídios dos governos e, além disso, usam para justificar os altos preços dos seus medicamentos declarando que atuam na Pesquisa e Desenvolvimento de novos remédios. Mas, na verdade, elas aplicam enormes recursos financeiros em marketing e em maquiar os antigos medicamentos, em patrocinar congressos e conferências médicas, em “visitas” aos consultórios médicos e na distribuição de amostras grátis.

Quem já não viu os representantes dos laboratórios, muito bem vestidos, muito bem treinados, que constantemente estão às portas dos consultórios médicos e clínicas médicas passando “informação” sobre algum “novo” medicamento?

A médica norte-americana Marcia Angell esclarece as artimanhas e as atividades que este setor – farmacêutico – realiza notadamente nos Estados Unidos e que se alastra para todo o planeta. Angell afirma:

“... Tornamos-nos uma sociedade hipermedicada. Os médicos infelizmente foram muito bem treinados pela indústria farmacêutica, e o que aprenderam foi a pegar o bloco de receituário. Acrescente-se a isso o fato de que a maioria dos médicos está muito pressionada em termos de tempo, em decorrência das exigências das administradoras de planos de saúde, e podem pegar aquele bloco com grande rapidez. Os pacientes também aprenderam muito com os anúncios da indústria farmacêutica. Eles aprenderam que, a não ser que saiam do consultório médico com uma prescrição, o médico não está fazendo um bom trabalho. O resultado é que gente demais acaba por tomar medicamentos quando pode haver modos melhores de lidar com seus problemas. Mais sério é o fato de que muito de nós estamos tomando muitos medicamentos ao mesmo tempo – freqüentemente cinco, talvez dez, ou até mais. Essa prática é denominada 'polimedicação' e traz consigo riscos reais. O problema é que muito poucos medicamentos têm apenas um efeito. Além do efeito desejado, há outros. Alguns são efeitos colaterais que os médicos conhecem, mas pode haver outros dos quais não tenham conhecimento. Quando vários medicamentos são tomados de uma vez, esses outros efeitos se somam. Pode haver também a interação medicamentosa, na qual um medicamento bloqueia a ação de outro ou retarda seu metabolismo, de modo que sua ação e seus efeitos colaterais são aumentados.”

E mais ainda:

“Muitos congressos de grande porte parecem bazares, dominados pelas exposições pomposas dos laboratórios farmacêuticos e por simpáticos vendedores ansiosos por cumular os médicos com presentes enquanto discorrem sobre os medicamentos de seus laboratórios. Os médicos perambulam pelos grandes corredores das exposições carregando sacolas de lona com logomarca dos laboratórios farmacêuticos, cheias de brindes, mastigando comida grátis e se servindo de todo tipo de serviços gratuitos, tais como testagem de colesterol e treino para golfe. Em lugar do profissionalismo sóbrio, a atmosfera dessas reuniões é agora de um mercenarismo comercial. Num brilhante artigo sobre este tema, uma repórter do Boston Globe descreveu seu encontro com uma psiquiatra no congresso anual da Associação Americana de Psiquiatria [em inglês, American Psychiatric Association – APA]: Ivonne Munez Velazquez, uma psiquiatra do México, remexia sua sacola de brindes como uma criança no dia de Halloween. Como recompensa por ter comparecido à reunião da APA, tinha ganho um pequeno relógio, em forma de ovo, dos fabricantes do antidepressivo Prozac; uma elegante garrafa térmica dos fabricantes do Paxil, também um antidepressivo; e um porta-cartões de prata, gravado, cortesia do Depakote, um anticonvulsivo [frequentemente prescrito para finalidades fora das indicações aprovadas, para uma variedade de síndromes psiquiátricas]. Ganhou também um pequeno e elegante porta-CD do Risperdol [sic], um antipsicótico, um porta-passaporte do Celexa, um antipsicótico [na verdade, um antidepressivo]; um belo peso de papel verde do Remeron, um antidepressivo, e um abridor de cartas de algum medicamento do qual ela nem se lembrava. Durante o fim de semana inteiro, porém, a lealdade de Velazquez estava com a Pfizer, que havia pago sua passagem aérea da Cidade do México (juntamente com trinta de suas colegas e seu sobrinho de 18 anos de idade) e os alojou em hotéis próximos ao local da reunião da APA. Naquela noite, também por cortesia da Pfizer, ela iria comparecer a um banquete esplendoroso na Academia de Belas Artes da Filadélfia.”

Não que não haja bons medicamentos para a nossa saúde, para que tenhamos uma vida mais longa e de melhor qualidade. Que os medicamentos sejam receitados com cuidado e os médicos quando os prescrevem estejam fundamentados em pesquisas e informações verdadeiras e que seja de acesso a todos estes profissionais, pois as indústrias farmacêuticas, quase sempre não passam todas as informações aos médicos, omitindo propositadamente informações essenciais para que estes realizem seus procedimentos com segurança e qualidade.

A máquina de fazer dinheiro dos laboratórios farmacêuticos esta baseada nas informações falsas, em subornos e propinas que se alastram em todos os setores médicos. Muitas vezes apenas com dietas e exercícios se obtém melhores resultados que os medicamentos.

Outro fato execrável é que a indústria farmacêutica utiliza, para manter seus enormes lucros, as patentes. Patentear um medicamento mesmo que maquiado, apenas modificando a dosagem e mudando a cor das pílulas é garantia para que esses tenham a patente prorrogada e mesmo aumentada em vários anos a mais.

Os medicamentos maquiados, ou melhor, medicamentos de imitação, vem sendo uma grande estratégia no intuito de manter as patentes e seus elevados lucros.

Os grandes centros de Pesquisa e Desenvolvimento de novos medicamentos estão nas Universidades nos grandes centros médicos acadêmicos sendo realizada por seus cientistas que tem contribuído para o aparecimento da grande maioria dos novos medicamentos. Estas instituições recebem recursos financeiros do Estado, o que significa dizer que são financiados pela população de seus países.

A indústria farmacêutica tem procurado, sistematicamente, se relacionar e se associar com estas instituições patrocinando com generosos recursos financeiros as pesquisas realizadas por estes cientistas. Os medicamentos comercializados quase sempre provêm de pesquisas financiadas com recursos públicos e executadas por Universidades, como disse, e pelas pequenas empresas de biotecnologia. Estes grandes laboratórios agem a nível global, sem nenhum constrangimento eles procuram adquirir de terceiros, incluindo os pequenos laboratórios espalhados pelo mundo, qualquer pesquisa que exista e que segundo suas avaliações, tem indícios de serem promissores.

Uma, dentre várias, necessidades da indústria farmacêutica é desenvolver medicamentos para clientes que podem pagar os preços estabelecidos por eles. Os laboratórios estavam, há tempos, voltados para pesquisar, desenvolver medicamentos para tratar doenças. Hoje, estes anunciam “doenças” que se encaixam nos medicamentos que produzem.

Quem já se deu ao “trabalho” de ler uma bula de remédio já deve ter observado que na sua grande maioria determinado medicamento é indicado para vários tipos de doenças. Isto também é uma forma dos grandes laboratórios burlarem a lei de patentes e ao mesmo tempo aumentar seus lucros, pois o tal remédio serve para inúmeros males, isso tudo com o olhar complacente das autoridades e órgãos públicos.

Quando um grande laboratório anuncia a criação de um novo medicamento, com grande potencial de consumo, logo suas ações na bolsa de valores sobem vertiginosamente, pois os lucros presumidos nesse novo medicamento são muito grandes e é lucro garantido não só para os laboratórios como para seus investidores/acionistas.

A indústria farmacêutica manipula resultados de pesquisas científicas, não realiza todos os procedimentos necessários para colocá-lo no mercado com segurança para a população, ou seja, a necessidade de auferir lucros, o mais rápido possível, é o que importa!

O complexo industrial farmacêutico não tem interesse em desenvolver medicamentos para tratar doenças tropicais, tais como: malária, doença do sono, esquistossomose, chagas, doenças comuns nos países em desenvolvimento e do terceiro mundo, pois esses países têm uma parcela significativa de sua população muito pobre, que não teria condições de comprar seus medicamentos. Por outro lado ela investe, com abundância, em medicamentos para reduzir o colesterol, tratar transtornos emocionais, febre do feno ou azia.

Precisamos, com urgência, tomar providências contra estas indústrias farmacêuticas que insistem em distorcer pesquisas, em aumentar seus lucros custe o que custar, em manter por meio das patentes o monopólio de produção e comercialização dos seus medicamentos e de aumentar seus preços a níveis estratosféricos. Sem que as autoridades e a população mundial tomem medidas duras contra a ganância dos laboratórios farmacêuticos e seus comportamentos, o que nos espera, além do que já estamos vivendo, é o mundo da saúde se transformar num imenso inferno dantesco.

Ari de Oliveira Zenha é economista

EXTRÁIDO DO SITE DA CAROS AMIGOS, revista muito boa por sinal

16 de abr. de 2011

vale a pena ler A Linguagem escravizada: língua, história, poder e luta de classes


Florence Carboni e Mário Maestri publicaram, em 2003, a primeira edição do livro A Linguagem escravizada: língua, história, poder e luta de classes. [São Paulo: Expressão Popular, 2003.] Eram 92 páginas que mostravam como a língua nunca é neutra, mas sempre forjada no contexto do mundo social, embalada por relações de poder, das quais constitui representação e simbolização, ainda que o falante só possua frágil consciência da origem social e ideológica da linguagem que utiliza.

Mário Maestri, doutor em história pela UCL, na Bélgica, é conhecido no meio acadêmico mundial por seus trabalhos sobre a história social do Brasil. Integrante da corrente que definiu o passado escravista brasileiro como expressão de luta de classes, associou-se à lingüista italiana Florence Carboni, também doutora nessa disciplina por aquela instituição, especialista na questão da linguagem, para publicar um trabalho germinal no sentido recém apontado.

Em menos de dois anos e meio, esgotaram-se os três mil exemplares da primeira edição. Fato inusitado apenas para quem não leu o trabalho de Carboni e Maestri. A Linguagem escravizada constituiu uma ferramenta indispensável aos pesquisadores, não apenas das ciências sociais. Nesses sentido, muitas vezes, as orientações propostas pelos autores quase servem como um manual para quem não quiser pecar gravemente ao escrever e falar, deixando que outros falem por sua boca, que outros escrevam por suas mãos.

Em novembro de 2005, veio a segunda edição. Revista e ampliada, com agora 147 páginas, a obra mantém na sua essência as características que consagraram a primeira edição. “A língua é palco privilegiado da luta de classes, expressão e registro dos valores e sentimentos contraditórios de exploradores e explorados”.

Também em 2005, ficaram expostas as feridas do mundo globalizado, nos atentados do metrô da Inglaterra, nos protestos das periferias de grandes cidades francesas, na crescente derrota estadunidense no Iraque, na construção do muro de Israel, nas jornadas da Venezuela, que registraram as duras e não raro contraditórias formas de expressão da oposição ao imperialismo. Imperialismo este, como assinalado em A linguagem escravizada, construído igualmente através da imposição da língua e das formações discursivas próprias de setores sociais dominantes.

A língua do imperialismo, o inglês, vem sendo imposta como língua universal. Tende a tornar-se obrigatória como segunda língua nas escolas públicas em quase todo o mundo. Nada de anormal para Carboni e Maestri, pois, “as nações imperialistas lutam para impor suas línguas, e, por meio delas, seus valores às nações dominadas, assim como as classes dominantes esforçam-se para que os dominados submetam-se plenamente a uma ditadura lingüística, que facilita e consolida a ditadura social e econômica”.

Esse mecanismo já se verificara em outras conjunturas históricas. No Brasil, a dominação através da língua remonta ao século 18, quando, para manter o domínio ideológico, cultural e religioso, “entronizou-se o português como língua colonial e reprimiram-se os falares extra-europeus e crioulos e suas influências na língua dos colonialistas”. As palavras oriundas das comunidades indígenas, africanas e caboclas passaram a ser vistas como estranhas, atrasadas, brutas, ultrapassadas.

Os autores mostram igualmente que praticar o padrão considerado culto da língua pode também assumir o sentido de não pertencer e separar-se das classes subalternizadas. “Membros emergentes das classes desfavorecidas sempre puderam se incorporar às chamadas elites, desde que renegassem suas raízes sociais, ideológicas e lingüísticas”.

Ao contrário, quando indivíduos “praticando o padrão lingüístico popular projetam-se socialmente, sem terem o tempo ou a capacidade de se adaptar à forma culta, o uso público de variantes consideradas populares é execrado como erros e barbarismos lingüísticos, por meio de sisudas correções eruditas ou de maldosas ironias, a fim de que o padrão popular não seja prestigiado por esses locutores excelentes”. O ex presidente Lula é um exemplo disso.

Carboni e Maestri analisam também as categorias usadas pela historiografia contemporânea e as ciências sociais em geral, mostrando que, muitas vezes, cientistas sociais bem intencionados utilizam termos com vínculos ideológicos-culturais próprios às classes dominantes do passado justamente para elaborar análises críticas destinadas a desvelar conflitos sociais desse passado. Os autores mostram, por exemplo, que substituir a categoria "escravo" por "trabalhador escravizado" impede que seja negada ao cativo sua condição de trabalhador e a violência que ele sofreu ao ser escravizado.

Outra questão levantada pelos autores refere-se ao papel da escola. Tradicionalmente, os estabelecimentos de ensino elegem apenas a variedade lingüística comum às classes dominantes como língua objeto de estudo e instrumento de comunicação. Os alunos que apresentam dificuldade para se desvincular das variantes lingüísticas próprias do seu meio são discriminados. “A repressão lingüística é igualmente caminho para a repressão social e cidadã. Ela contribui para a reprodução das desigualdades sociais”.

A Linguagem escravizada questiona o mito da fala ‘boa’, ‘culta’. Não raras vezes, os eleitores indicam seus representantes porque ‘fala bonito’. Ingenuamente, desconhecem o poder da língua, do discurso, da incorporação de expressões. Carboni e Maestri contribuem especialmente para com o meio acadêmico. A obra consagrada na primeira edição tende a repetir o sucesso.

PUBLICADO NA REVISTA ESPAÇO ACADÊMICO nº57 fev-2006 , texto do prof adelmir fiabani, gaucho, doutor em história http://www.espacoacademico.com.br

12 de abr. de 2011

MOVIMENTAÇÃO POLÍTICA NOS BASTIDORES DE UIBAÍ: O Q VIRÁ DISSO?

HOJE CONVERSANDO COM UM JOVEM DE UIBAÍ ele me disse q agora é do PC do B , segundo ele o partido está se reestruturando, está crescendo a partir de "novas lideranças" e pretende ser a nova força política de uibaí, ainda segundo ele, uma alternativa aos dois grupos q estão ultrapassados, o do PT e o de BIRINHA.

EM DETERMINADO MOMENTO apareceu um senhor da Boca-dágua- Olho dágua e o jovem falou da possibilidade desse aderir ao partido como fizeram várias pessoas da sua comunidade, o senhor foi incisivo:- voto ne birinha ou ne quem ele mandar, devo tudo a ele!!! o rapaz notando a firmeza do camarada, desconversou, mas, logo disse q uibaí precisa sair dessa história de apenas dois grupos digladiarem pelo poder e nada de importante acontecer, aí eu entrei, acho q de sola.

EU DISSE Q CONCORDAVA com a necessidade de superação dessa triste dicotomia q tem levado uibaí aum maniqueísmo pobre e com resultados decepcionantes entre ano sai ano, entra década e sai décadda, porém o PC do B está longe, muito longe de representar algo " novo" e interessante, essa forma de crescer filiando á torta e á direita ja demonstrava isso, disse a ele q o pc dob é nacionalmente e estadualmente um reles aliado do pt, preocupado mais com cargo q outra coisa, em todo o país é aliado qde quem tiver bem na foto, seja DEM, seja PSDB, seja PT ou o escambau, hoje é um partido sem ideologia, sem nada mais q o caracterize como socialista. A figura mais badalada dele no momento é o dep fed por São Paulo Aldo Rebelo q vem sendo mimado, acariciado e endeusado pela funesta direita ruralista ja q ele propõe um novo código florestal q beneficia os devoradores de florestas nativas pra se encherem de grana praticando além da degradação ambiental, uma brutal exploração dos trabalhadores.

Qdo ainda falava do PC do B, um senhor q tava por perto e ouvia a conversa, meio brabo explanou:
-QUÉTA MOÇO É TUDO PORQUÊRA, NENHUM PARTIDO VALE NADA , TODO PULÍTICO
É DO MESMO JEITIN?

O q se tira disso tudo é q uibaí é mesmo um caldeirão político fervente, é uma pena no entanto q a discussão ao meu ver não acontece como deveria acontecer, as coisas ainda caminham como antigamente, não conseguimos dar um passo á frente, é duro admitir!!

9 de abr. de 2011

ENDIVIDAMENTO Á TOA OU PROSPERIDADE Á LÁ BRASIL??

A NOTICIA

Nordestinos lideram ranking dos superendividados

Os moradores do Nordeste encabeçam a lista de superendividados brasileiros. De cada cem habitantes da região, pelo menos 13 estão com grandes débitos, segundo o IEF (Índice de Expectativas das Famílias), divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) nesta quinta-feira (7).

No Brasil, a média de superendividados está na casa de 9,34%.

O IEF é feito em 3.810 residências de 214 cidades, de todos os Estados brasileiros. Para chegar aos números, o Ipea usa o método da amostragem, ou seja, usa parte da população para tirar conclusões sobre o todo.

Os habitantes do Norte do país aparecem na segunda posição, com 11 superendividados para cada cem pessoas. O Sudeste é o terceiro do ranking (8,47%) e o Centro-Oeste é o quarto (7,72%).

Os moradores da região Sul, por outro lado, aparecem na última posição da lista, com menos de 4% de superendividados.

Tamanho da dívida

A dívida média do consumidor brasileiro ficou em R$ 4.194,97 em março, de acordo com o indicador do Ipea. O montante representa um recuo de 23,3% em relação a fevereiro, quando o brasileiro devia R$ 5.468,57, em média.

Peso da dívida

Em março, 20,6% dos brasileiros tinham até metade do salário mensal comprometida com dívidas, segundo o Ipea. O nível é semelhante ao de fevereiro, quando o índice ficou em 19,9%.
Por outro lado, o estudo mostra que houve aumento do tamanho da dívida entre os superendividados. No mês passado, pelo menos 22% dos brasileiros disseram estar devendo entre uma e duas vezes sua remuneração mensal.

O aumento também foi observado entre os que deviam mais de cinco vezes sua renda mensal. Em fevereiro, eles eram 17,1% da população e agora, em março, 17,7% dos brasileiros se encaixam nessa faixa.

EXTRAÍDO DA COMU "PROFISSÃO PROFESSOR" DO ORKUT

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