Os festejos juninos desse ano deixaram um clima meio estranho: por um lado, uma latente insatisfação de parte da população em relação a programação, falta de inovações, ausência de revitalização de certas tradições e originalidade. Por outro, uma apatia profunda. Ano passado, a bandeira de fim do São João de Uibaí e criação de uma festa de Santo Antônio - chamada espuriamente de São João Antecipado - foi motivo de revolta generalizada. Esse ano, a insatisfação ficou no "disse-me-disse", sem debate, sem proposições, sem ousadia.
28 de jun. de 2010
São João de Uibaí: repensar
Os festejos juninos desse ano deixaram um clima meio estranho: por um lado, uma latente insatisfação de parte da população em relação a programação, falta de inovações, ausência de revitalização de certas tradições e originalidade. Por outro, uma apatia profunda. Ano passado, a bandeira de fim do São João de Uibaí e criação de uma festa de Santo Antônio - chamada espuriamente de São João Antecipado - foi motivo de revolta generalizada. Esse ano, a insatisfação ficou no "disse-me-disse", sem debate, sem proposições, sem ousadia.
15 de jun. de 2010
Todo apoio aos servidores municipais de Uibaí em Luta!

O governo municipal é como um espantalho. Um espantalho, a gente bota na roça para espantar as pragas que vem destruir a colheita. Porém, com pouco tempo, as pragas começam a perceber que o espantalho é inofensivo, não se move. Daí, passam a proteger-se nele. Levam a comida para o seu chapéu, do alto de onde tem um excelente campo de visão. Enquanto isso, o agricultor fica iludido. Pôs o espantalho e confia que o mesmo afasta as pragas. Ao invés de acordar cedo e ir pegar as pragas desprevenidas com sua espingarda, o pobre agricultou perde a sua colheita inteira, pois deposita sua confiança no espantalho que só está a aumentar as suas perdas colaborando com as pragas.
Essa é a avaliação que se pode ter do atual governo municipal. Um espantalho! Cidadãos e cidadãs acreditaram que o PT poderia afastar as pragas dos cofres públicos. Todavia, a experiência tem mostrado que as pragas continuam lá, acrescentando uma vermelha e bem grande. Perigosa, por que conseguia iludir o povo. Agora, não mais. O povo já percebeu que todos os governos de empresários ricos e burocratas carlistas e petistas (os seguidores do novo cabeça branca da Bahia) vivem de parasitar o cofre público, sugando o dinheiro do povo. E parte do povo, organizada no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Uibaí já começa a fazer o que é certo. Lutar para acabar com todas as pragas, estudadas ou analfabetas, da direita ou da “esquerda”, inteligentes ou burras. E a paralisação histórica dessa segunda-feira será, com certeza, lembrada como um dia de luta do povo trabalhador dessa terra por democracia, justiça e liberdade.
Todo apoio aos servidores municipais de Uibaí em Luta!
NOSSA POLÍTICA

Sim, fazemos política. Não podemos negar. Somos um grupo político que pretende transformar a correlação de forças atualmente existente. Mas nossa política é particular. Talvez até anti-política.
Nossa política é do movimento popular e visa convencer e mostrar ao povo que o poder lhe pertence e deve ser usado por ele e não entregue a “representantes”.
Nossa política é anti-política por lutarmos contar o Estado, que na nossa visão, é um instrumento de opressão e de desorganização do povo, independente de quem está no volante e das suas boas intenções. Nossa política baseia-se na proposta de destruição desse Estado opressor e na construção de um novo modo de governo, baseado na associação popular.
Nossa política não é representativa. Não dizemos “confiem na gente que faremos o certo”. Preferimos dizer: não somos eleitores, somos cidadãos. Façam conosco. Não concordam, façam diferente. Mas façam vocês mesmos.
Nossa política não é de heróis. Os semi-deuses e os santos existem no mundo da ilusão. E se pessoas comuns parecem-se com eles é porque alguém está sendo enganado e tem gente se “dando bem” tirando vantagem disso. Temos nossos símbolos de luta: Vicente Veloso, que não esperou um paraíso de sonhos cair do céu, mas que lutou por sua liberdade aqui na terra.
Nossa política é de convencimento, de conscientização, de formação.
Existe a política deles: de cargos, dinheiro sujo, palanques, festas, corrupção, marketing, desmando, humilhação, máfia, autoritarismo.
Não gostamos desse tipo de política.
Queremos ser a diferença.
21 de mar. de 2010
Programação da IX Seac

No perfil do Orkut da Semana de Arte e Cultura foi divulgada uma prévia da programação. Ainda não é oficial, mas lá vai
Música, dança, poesia, teatro e manifestações tradicionais: GPEC da Quixabeira de Uibaí, Chula da Quixabeira de Uibaí, Encaretados da Chapadinha de Uibaí, Grupos de Dança Afro Quilombolas de Lagoinha e Caldeirão de Uibaí, Quatro Elementos (DF, banda de Dadá Quixabeira), Terno Lamparina (de Eder Ferssan, Clendson Barreto e Bira), Samba Vuá de Uibaí, Zion (Lençóis), Teatro Seu (Uibaí), Grupo Makulelê (Irecê), Retrofoguetes, Raciocínio Lento, Metamundo, Celo Costa, Reisado da Grama de Uibaí.
Oficinas e Vivências:
Origame (Tiú Rocha), Tambores (Eder Fersan), Arte Circense (Kuka Matos), Plantas da Caatinga (Gaguin Ribeiro), História e Geografia Local (Celito Regmendes), Estética Afronegra (Negra Jô - Ssa).
19 de mar. de 2010
Osvaldo Alencar Rocha Presente!

Em junho próximo estará completa uma década sem o militante socialista e advogado popular Osvaldo Alencar Rocha. Sua personalidade já foi motivo de biografia, eventos e artigos publicados no país inteiro. Nada mais merecedor do que uma atividade que resgatasse suas ideias a respeito do Direito e da sociedade brasileira, afinal de contas, homens morrem, mas sua obra e suas ideias permanecem vivas.
Sugestões: uma oficina de Direito Popular realizada por advogados militantes com a finalidade de esclarescer sobre certos direitos e formas de mobilização e luta para realizá-los. Ou mesmo talvez a divulgação de textos do mesmo sobre "Direito encontrado na luta" ou Direito Agrário que motivassem um debate ou mesa redonda.
Cultivar a memória da luta de Osvaldo em defesa de famílias sem-teto, quilombolas, indígenas, posseiros e trabalhadores rurais, numa clara postura de intervenção do Direito na luta de classes é fundamental nesses tempos em que as carreiras profissionais só são medidas em termos de dinheiro e status e não de vocação ou desejo de transformação da realidade.
18 de mar. de 2010
Bié (1885-1946): primeiro poeta uibaiense

Com nome de poeta foi batizado o filho de Luzia Pereira Machado e Antonio Braúna (Antonio Machado Franca) em Canabrava nos idos de 1885: Virgílio. Mas nosso personagem não viveu de seus versos, mas do trabalho duro na agricultura em roça que ficava entre Canoão e Lagoa da Canabrava (atual Presidente Dutra). Casou-se com Ana, com quem teve quinze filhos. Foi como poeta que registrou a passagem da Coluna Prestes por Canabrava em 1926, ocasião em que três "revoltosos" - como os homens de Prestes ficaram conhecidos no nosso trecho - foram mortos e uma moradora de Canabrava foi estrupada e seu irmão foi torturado pelos "gauchos". Houve combate renhido entre canabrabeiros em armas e em represália à recepção "calorosa", todas as casas do arraial foram incendiadas. Bié escondeu sua família na roça no Canoão, a maioria da população foi pras caatingas e serras se esconder. Depois, reconstruiu sua morada na rua Pé do Morro (atualmente rua Severiano Farias) na qual morou até o fim da vida. Foi como poeta que registrou a passagem da Coluna, mas como poeta que ele sabia ser: sarcástico, irônico, bem humorado. Poetizava com alegria e sarcasmo o cotidiano de trabalho duro nas caatingas. Mesmo as secas viraram versos na cachola do poeta sertanejo que cantou
Meu nome é Virgílio
Mas meu apelido é Bié
Em trinta e nove tinha doze burro
E hoje eu ando de pé
Católico era e como bom devoto de Nossa Senhora combateu com seus versos o protestantismo que já estava instalado na região
O Deus dos protestante
é ministro estudado na Ponte Nova
que só crê no Deus-dinheiro
mas na religião não dá as prova
e a lei de Cristo é mais velha
e a de Lutero é mais nova
Não sendo exemplo de tolerância religiosa, ironizou o conservadorismo da época que estabelecia como padrão o casamento monogâmico e a vida retida e monástica que levavam os caatingueiros
Quem casa vive amarrado
como boi no cabeçaio
não adverte pela praça
nem tira o pé do buraio
nem passeia pela rua
pra quê sentença mais crua
eu zango, brigo, raio
vô compra um baraio
vô adverti pela praça
quem não casa tamém passa
sem muié tamem se escapa
quem tem muié tem trabaio
Todavia, como bom agricultor catingueiro, era pragmático que era, o poeta não era de maiores cerimônias. Chico Preto da Velha Vijú (Francisco Justino Machado) agradeceu a visita de Bié em sua casa, ao que foi respondido em versos
Seu Francisco
num agradeça minha visita
porque eu não vim lhe visitar
só vim panhá sias bruacas
pra carregar meu mie
que os priquito tão pra cabá
Transformava até coisas ruins em humor. Humor sarcástico que não poupava mortos e doentes.
Certa vez, colocou-se na posição de Quininho (Constantino Virginio de Carvalho), que contraiu doenças venéreas com Virgínia Lobá em um garimpo, durante a crise de 1939. Tirou "chacota" do próprio cunhado com os seguintes versos
As coisas desse mundo
ninguém possa pensa
eu tava no garimpo
sonhando com minha sinhá
foi quando eu caí na água com febre
foi com Virginia Lobá
Numa peregrinação à Bom Jesus da Lapa, foi a vez de Bié ficar doente. O resultado não foi motivoteve graça nenhuma. O poeta faleceu decorrente de febre tifo.
Todavia, seus versos vivem e se espalham na memória de pessoas em Irecê, P. Dutra, São Gabriel (aonde improvisava versos acompanhado pela viola de Dimas Pereira Rocha, do povoado de Jurema), Central, Itaguaçú e Uibái.
Bié Vive