30 de jun de 2011

São João de Uibaí 2011




O São João de Uibaí! Maior festa popular da nossa cidade sua história está ligada ao associativismo e ao fortalecimento do poder da sede sobre o município.

Até os anos 1970, não havia aquilo que, então, ficou conhecido como São João de Praça. O que não quer dizer que não havia festejos. Mas a festa vinha por conta da tradição de fogueiras no dia de São João por todas as ruas (dia 29 é só para os aniversariantes, os de nome Pedro e viúvas e viúvos). A fogueira em pé reunia a meninada da rua e era comum que fosse oferecida como promessa ao santo em troca de alguma graça concedida ao realizador. Também é uma tradição os batizados de fogueira, feitos com um ritual do catolicismo popular e que sacramentavam alianças e relações de parentesco entre comadres, padrinhos, madrinhas e afilhados. O casamento de matuto e as quadrilhas também eram atividade obrigatória.

A partir da metade da década de 1970, a Casa dos Estudantes de Uibaí em Salvador passou a organizar o São João de Praça, com barracas de palha, radiolas e trios de sanfoneiro, zabumbeiro e trianguleiro, articulando as diversas atividades de festejos. Algumas tradições juninas locais como o pau-de-fita, o quebra-queixo, o milho assado, a maça-do-amor, o correio sentimental, a corrida de saco, o violento (especialmente para o gato) quebra-pote, o pau-de-sebo são fortes na memória de cada uibaiense. Figuras como Silvio Velho, Tonho Babão, Bôni marcaram gerações dando cara à festa.

A sede marcou sua posição como centro do município, então, recém-criado e, com o passar dos anos, desarticulou uma série de festejos locais nos povoados. Estes tiveram que se readaptar ao São João de Praça das entidades organizadas de Uibaí. Boca D’água-Olho D’água anteciparam a sua festa. Poço a transferiu para o São Pedro, no mesmo período em que o Caldeirão realiza a sua tradicional quadrilha e o casamento. Festas em outros povoados simplesmente desapareceram e restaram, quando muito, a fogueira-em-pé.

A CEU atuava como articuladora de entidades e discutiam e decidiam o caráter da festa. Com o passar dos anos e o crescimento da festa, a Prefeitura Municipal passou a atuar como colaboradora das entidades. Pelo sua capacidade orçamentária e pelo significado político de controlar a maior festa popular, passou a deslocar cada vez mais as entidades, que passaram a simplesmente parceiras subordinadas. Vários conflitos entre CEU e prefeitura ocorreram, em 1991, em 2001, inclusive, no primeiro caso, com realização de festa separada. A discussão de mudança de data em 2009 causou uma reação popular generalizada de ojeriza ao projeto e convocou-se uma reunião para decidir a data. De lá pra cá, mais nada.

A prefeitura toca a festa a toque de caixa, sem consulta popular, sem co-organização para as entidades. Estas se resumem ao papel de donas de barraca, como a Paróquia. A CEU-SSA que já foi organizadora da festa hoje possui mais uma barraca - a mais tradicional e elitizada da festa.

O conflito geracional está cada vez mais forte. Parcela esmagadora da juventude prefere o estilo sertanejo-forró elétrico do São João de Irecê e abomina o forró pé-de-serra tradicional que é marca da festa canabrabeira. Os idosos e parte da população tem preferência pela forma como é realizado, sendo ainda forte a reivindicação de retorno à praça Marinho Carvalho – também conhecida durante décadas, como a Praça do São João. Qual será o destino da nossa maior festa popular?

17 de jun de 2011

ABC da maniçoba

Guardado por mais de noventa anos na memória de João de Guidú, que os aprendeu com Bié, os versos do ABC da maniçoba registraram aspectos e informações importantes sobre a Influência da Maniçoba (1904-1914). A maniçoba, ou pé de pataca produz um látex que durante o início do século atingiu um elevado valor no mercado e representou um verdadeiro garimpo para os sertanejos, inclusive na região de Uibaí, Mirrorós e Iguitú, onde os pequenos povoados foram invadidos por multidões de forasteiros. Há outra versão do ABC que se encontra no livro Canabrava do Gonçalo de Osvaldo Alencar Rocha e Edimário Oliveira Machado recolhido com Faburino Rocha.

Antonio de Celina e João de Guidu atribuem a Firmino Serra Grande a autoria do ABC da maniçoba. Muito do que se sabe sobre esse poeta é envolto de dúvidas e suposições. João de Guidú nos conta a história de que Firminin era um comerciante que num desafio de repente contra um rico barqueiro em Xique-Xique venceu e “enricou” se tornando fazendeiro. Antonio o conheceu já velho, pai do fazendeiro e poeta Antonin Serra Grande e desconhecia a antiga profissão de comerciante de Firmino, mas confirma a sua vocação poética.

As vivença desse mundo

Não há quem possa pensá

Os inocente d’agora

Já querem negociá

Quem me dera maniçoba

Nessa terra se acabá

Bem vontade que eu tinha

De tamém sê comprado

Eu num entro nesse mercado

É por que meu vale acabô

Maniçoba de sessenta

Já tem muito atacadô

Com certeza maniçoba

Hoje é quem vale tudo

Compradô de maniçoba

É preciso ter estudo

Se pegá cum muita upa

No final vem perdê tudo

Eu nunca vi uma gente

Como a do Barro Vermeio

Do Gentio ao Miroró

Todo mundo é capanguêro

A treta anda na frente

Não sei se terão dinhêro

Foi mercê que Deus fez

O dinheiro vim na terra

Mas quêra Deus que maniçoba

Num venha se acabá em guerra

Pois os besta tão dizeno

Que os ladino tamém erra

Grande guerra nesta terra

Todo mundo em confusão

Quem fura tal maniçoba

Num planta mie nem fejão

Quando vinhé arependê

É tarde meus irmão

Home muito nessa terra

Porem poços catinguêro

Compradô de maniçoba

É preciso tê dinhêro

Senão vai inxuvriado

E leva o nome de trêtero

Ignora esse mercado

É maniçoba sem lavá

A mil réis, a dois cruzado

Todo mundo qué comprá

Por causa da maniçoba

Fez farinha cariá

Já fui ao Barro Vermeio

Pra minha capanga fazê

A cachaça era tanta

Que eu não pude me entretê

Cada hora e cada instante

De eu vê gente morrê

Kilo e meio de maniçoba

É dinhero pur dimais

Dinhero de maniçoba

Faz as vêis de satanás

E quem num esquecê da roça

Ôto tanto tamém faz

Lembro e faço pensão

Maniçoba num que dá

Quem fura tal maniçoba

Sei que num que trabaiá

Não sei como hão de fazê

Quando a xeringa cabá

Não se iluda, minha gente

Maniçoba num é nada

Quem fura tal maniçoba

Eu vejo é cum a vida arriscada

Uns furano, ôtos panhano

Segue uma vida danada

Orrô de facada e tiro

Tamo veno a todo instante

Quelé Dunga [1]veno isso

Retirou-se para Tanque

Dinhero de maniçoba

Faz as vêis de diamante

Quem fura tal maniçoba

Num acredita em Deus

O orguio é dimais

Faz disconhecê os seus

Toma café e num oferece

Esses irmãos num são meus

Rasgam a rôpa no mato

E num trata de comprá ôta

Vão se queixá a famia

“Minhas calça estão rôta

Cuida da roda, muié

Pra me dá ota rôpa”

Se maniçoba num baxá

Vai ficá rico o sertão

Eu preciso trabaiá

Pra comprá a Conceição

Tem dinhero com fartura

Ta chegano bem por hora

Os que tão dentro da transa

Tão se vendo na enrola

Se meu julgo fô certo

Muita gente boa chora

Xorano fico uns pouco

Por não poderem comprá

Papai Veio do Guigó

Tá comprano sem lavá

Mas levo três dia no mato

Em jejum sem almoçá



[1] Clemente Francisco Nunes, natural do Guigó,. era pai de Cassimiro “Budin” Nunes que foi casado com Brígida Rocha de Uibaí

10 de jun de 2011

Uibaí, 50 anos

A Trupe Verso e Corda, composta pelos artistas Tiú Rocha, Ari Oliveira e Pita
Paiva, através de projeto cultural aprovado pela Prefeitura Municipal de Uibaí /
Secretaria de Educação e Cultura e Câmara de Vereadores, fará em torno de trinta
apresentações, juntamente com artistas convidados, no espaço da Câmara, em
colégios e em 10 comunidades do Município. O repertório inclui recital poético,
músicas, desafio de poetas populares, exposição de fotos, pinturas e desenhos,
etc, reunindo a produção de artistas de diversas gerações de Uibaí.

Neste Sábado, dia 11/06 a Trupe se apresentará na Câmara de Vereadores às 20h. E
na terça-feira, 14/06, as 19h na Quixabeira. Compareça e surpreenda-se com a
beleza do repertório produzido por nosso artistas ao longo de muito mais de 50
anos de história uibaiense.
Saudações,
Pita Paiva

7 de jun de 2011

São João de Uibaí 2011


Programação

Tradicionais brincadeiras, quadrilhas, quadrilha matuta, pau-de-fita, fogueira em pé, barracas ornamentadas, etc.

23 de junho: Cecê do Acordeom, Xinela de Couro

24 de junho: Amantes do forró, Espalha Brasa

25 de junho: Kravo e Canela, Banda X, Cecê do Acordeom

26 de junho: Forró do Molho, Casaco de couro, Sala de rebôco


obs: essa prévia da programação foi conseguida com a Prefeitura e não nos responsabilizamos por acréscimos e modificações