22 de set de 2011

Seja bem-vida a primavera


"Primavera, verão, outono
Aqui não há esse quarteto
Às vezes um inverno verde
Às vezes um inferno seco"

Hoje começa a primavera. Não que aqui no nosso pé-de-serra hajam quatro estações do ano. As flores, o calor, a chuva, o frio, as frutas, a seca são tão misturadas e tão diversas nesse pedaço de chapadão misturado com serra, caatinga e cerrado. Dizem até que as cascáveis só trocam de pele duas vezes no ano (uma no verde e uma na seca) quando trocam quatro em países com quatro estações. Daí que a rosca da bicha indica não um ano, como é muito difundido, mas meio. Às vezes, depender da seca, quem sabe passa um ano inteiro, dezoito meses até. Mas nem há mais quase cascáveis e outras cobras. Os filhos de Eva cumprem bem a designação de Deus de que os herdeiros da mulher pisariam na cabeça dos herdeiros da serpente. Mas nem há quase pisões. Nos baixios, há anos o trator passou por cima da mata e matou cobra, preá, passarinho, veado, teiú, calango, onça... Nas serras, a bestialidade de nosso povo através de centenas de caçadores continua abatendo o que resta dos pobres animais. O fogo, as nascentes mortas, as estradas por onde chega o progresso termina de matar tudo, deixando só pó e areão.
Mas hoje começa a primavera. Daqui a algumas horas, o desfile de Uibaí vai começar e já tem criança na rua vestida a caráter. A cidade respira isso. Basta chegar e sentir: todo mundo esperando algo acontecer, para o bem e para o mal. Os apaixonados morrem de alegria e de desgosto pela festa. Afinal, depois de ser uma festa do povo da cidade, é uma festa do prefeito da cidade. E como todo ano, os oposicionistas de direita prometem que não vai ter nada no aniversário da cidade - e nada quer dizer que não terá aqueles ridículos trios com aquela música de baixíssima qualidade que, infelizmente, tem a cara da Salvador da indústria pop que vende a imagem misturada da disneylandia e da África brasileira, onde todo seu povo lindo é feliz, mas a maior parte de seu povo negro passa fome. Como esse ano teve direito a missa, show gospel, show de reggae e o famoso trio, os insatisfeitos vão se contentar em dizer que as bandas não prestam. Como se o município pobre, pobre de maré, maré de Uibaí pudesse trazer Chiclete com Banana (como se já tivessem trazido antes). Em compensação, os apaixonados do prefeito soltam fogos, enchem a cara, riem e estão estasiados de alegria. Não faz mal que a juventude tem como perspectiva a migração para estudar ou trabalhar em qualquer lugar por aí. Não faz mal que as demandas da educação levantadas há 3 anos na Campanha em Defesa da Educação Pública do MVIVE continuem as mesmas. Não faz mal. A primavera está chegando.
Os cajús estão florescendo, as mangas começam a produção, assim é a primavera no sertão. É tempo de recomeçar. Numa avaliação, estamos melhorando nosso consumo, mas destruindo nossa morada. Estamos melhorando nossa saúde, mas não o nosso espírito. Estamos pensando como nos mandam e não estamos criando. Estamos seguindo a maré, quando a verdade está no fundo do mar.
A primavera do povo ainda não começou. As flores desabrocham aqui e ali. Os atentos jardineiros, se não podem podá-las, desmoralizam os seus regadores. Mas não importa. A primavera há de chegar.

18 de set de 2011

O significado do desfile cívico



Quando os desfiles cívicos do dia 22 foram criados em Uibaí? Não tenho a resposta exata, mas chutaria que foi nos idos dos anos 1960, talvez até mesmo na década de 1950. Eram tempos em que a região estava sendo tocada pelo progresso - uma ideologia trazida pela Estrada do feijão, mesclada com crédito agrícola, tri-consórcio de mamona-milho-feijão, tratores, poços artesianos, mais tarde agrotóxicos, assistência técnica, etc. Ficava pra trás a Canabrava dos heróis vaqueiros, criada sob o signo da policultura de subsistência com a pecuária, ficava pra trás o sertão quase medieval, das supertições camponesas milenaristas (que alguns chamam de catolicismo), dos padres e beatas, dos rezadores e contadores de causo. O alto-falante da Voz do Povo, o rádio de válvula, o futebol, as bicicletas eram o sinal do progresso que iria jogar para sempre o atraso no esquecimento. Eram tempos confiantes, e o campo - caatinga também pode ser traduzida por "campo branco" deixava de ser o lugar das aventuras épicas de heróis encourados contra bois valentes, a morada da caipora e do mistério e passava a ser um terreno a ser explorado, esquadrinhado, cercado, derrubado.
Certamente, a CNEC foi uma grande impulsionadora dos desfiles cívicos e, certamente, a ditadura civil-militar iniciada em 1964 deu um ar de solenidade ainda maior. As fotografias do período mostram moças morenas com cabelos comportados, uniformizadas quase militarmente, portando bandeiras e cartazes, jovens alinhados cheios de orgulho marchando ao som de bandas marciais (haviam? nunca as vi nas fotos dos anos 60 e 70, mas vi uma num vídeo de 1988). Mas para além do primeiro plano das fotografias que mostram uma sociedade em renovação, alinhada, disciplinada, arrumada, organizada metricamente, quase militarmente - uma Esparta, talvez desejassem o professor Tonico e a professora Cassimira, os dois grandes intelectuais tradicionais, aquele representando o pai do civismo e aquela a mãe do espírito, aquele o homem da autoridade e da hierarquia, essa, a mãe da obediência e do respeito cegos.
Porém, no fundo das fotografias preto e branco, atrás dos jovens belos e das moças bonitas, hoje quarentões e cincuentões, está uma turba meio disforme, meio escura, meio desalinhada, meio caótica. Parece uma sombra medieval contrastando com a Uibaí do século XX que orgulhosamente se mostrava no desfile.
Tradição e modernidade se mesclam no desfile. Os caboclos, os escravos, os vaqueiros, os coronéis, os caçadores, as costureiras em máquinas portáteis estão salvos. Mas parecem ser um passado que ainda se envergonhava há pouco tempo (como explicar os escravos pintados de pixe?). E ainda estavam marchando militarmente, organizados, alinhados. Mas ainda que envergonhados, os pelotões estavam cheios de orgulho: do que realizaram, daquilo que podiam realizar. Afinal, a massa caótica que assistia o desfile adorava ver seus jovens lá, arrumados, bonitos. Até poucos anos, eram uma ocasião especialíssima para fotografias. Os meninos mais rebeldes gostavam de ir de escravos, caçadores (o fascínio das armas!), vaqueiros (tradições que não morrem) e ciclistas. As meninas, estas lutavam para conquistar as posições mais almejadas pelo gênro, a representação das estações do ano e, a mais suprema aspiração de uma garota de 9, 10 anos: ser uma baliza. Pelotão que só era tão disputado quanto o supra-sumo do orgulho: participar da banda marcial! O que mais um jovem poderia desejar?
Desde 2009, sua revitalização pela Secretaria de Educação e diretoria de Cultura do atual governo, o desfile ganhou em popular e perdeu em formalidade. A participação dos caretêros da Chapadinha e dos quilombolas de Caldeirão-Lagoinha deu uma "melhorada" à parte no desfile que pareceu menos uma formalidade do tiro de guerra e mais uma fanfarra, uma festa, um carnaval.
Para encerrar, uma pequena homenagem aos rebeldes que impediram que o descaso da administração Birinha apagasse o desfile da história, pelo menos durante um ano. Em 2000, não haveria desfile. O 7 de setembro, outrora tão importante, quase tão significativo quanto o 22, não foi realizado. A banda marcial, em protesto contra o poder executivo, saiu às ruas e a multidão a apoio: precisavam de instrumentos, afinal, aquilo era mais do que uma banda. O Grêmio Estudantil Secundarista do Serra Azul assumiu o fardo de organizar o desfile e, com apoio de alguns professores, e principalmente do povo, colocou as mãos na obra. Ainda que sob perseguições do governo municipal, realizadas pelo então primeiro-ministro, Dorival, o desfile foi realizado com um grau de organização e criatividade que contrastaram com os anteriores. As faixas de protesto - apoiadas maciçamente pela população - que ganharam as ruas no dia foram memoráveis e fazem parte da história. No quintal ao lado do bar de Tonho Calçada, uma faixa com uma frase de Hilton Cem resumia o espírito da coisa "A cultura está abandonada, a educação não quer progredir, o que está acontecendo com a nossa Uibaí?".
Foi um exemplo, entre muitos, de que, a despeito de prefeitos e chefes, o povo quando se organiza, realiza.
E pra você: o que o desfile significa?

Flávio Dantas

16 de set de 2011

"Andarão juntos se não estiverem de acordo?" Amós, 3:3


Acima: foto do asfaltamento do cascalho (por Celito Regmendes) e do lançamento do comitê petista nas eleições gerais de 2010.

No espera das eleições de 2012, Uibaí já respira a política e a politicagem que deverá ser o principal assunto de rodas de conversas nas esquinas, nas bancas da feira, nos balcões e mesas de buteco, no ponto de taxi, nos ambientes de trabalho e mesmo na cama - visto que é comum nessa época do ano casais separarem-se por que cada um é de um partido. A política toma conta de tudo, um cheiro bom pra uns, festeiro pra outros e de carniça pra uma pequena parte. A questão "quem serão os cabeças do município nos próximos quatro anos" é a principal.
Nós que não estamos movidos pelo coração - é no coração que moram as desilusões - e que nos apegamos à racionalidade em assuntos políticos, não enxergamos mais do que repetições. Mais uma série de obras pré-eleitorais há tempos necessárias, mas somente agora providenciadas; mais um desfile de puxa-sacos de ambos os lados dando a cara nojenta do período; mais um governo autoritário que centraliza o poder, evita o diálogo e ignora a discordância; mais um governo em que se vota no menos pior para evitar o "mal maior", com um gosto de frustração por ver mudarem as cabeças, mas não os braços e os cérebros. Afinal, quem votou contra Hamilton, Armênia, Luís e etc. não votou contra Raul em 2008? Um dado novíssimo entrou em cena e ainda não sabemos como ele poderá se manifestar: o asfaltamento do cascalho é o assunto da vez.
Os insatisfeitos com os destinos do governo já tentam reaver seu espólio moral e ético para separar o joio do trigo no PT (coisa que nós nos questionamos se é possível). Basicamente, na categoria dos indignados, existem duas posições.
1 - A que defende a participação crítica e argumenta que, através de uma campanha independente, seja possível a eleição de um vereador, a participação em setores estratégicos do governo executivo e o acúmulo de forças democráticas e populares. Esse grupo tem seu pecado mortal no fato de que privilegia o momento eleitoral e não se esforça no movimento social. Em que avançou, nesses três últimos anos, o movimento estudantil, o movimento cultural crítico e politizado, a luta das mulheres, a organização dos quilombolas e negros, ou mesmo a politização dos trabalhadores rurais. Sem dúvida, se houve algum avanço, está apartado desse grupo. O principal erro seu é crer que é preciso conseguir poder para agir, quando na verdade é urgente agir para transformar-se em um poder. Rosa Luxemburgo criticava algo semelhante nos social-democratas de 100 anos atrás: "não se chega à ação revolucionária através da maioria, mas se chega à maioria através da ação revolucionária.
2 - A que defende o rompimento radical e imediato com o governo do PT. Embora não haja uma postura clara de construção de uma candidatura independente, inclusive porque não existe partido político disponível para isso, os seus adeptos, mais ou menos, descartam a colaboração eleitoral na reeleição de Pedro Rocha. Curiosamente, ao longo desses últimos anos, mostrou disposição para colaborar politicamente com o PT, desde que o objetivo fosse o enfraquecimento do resto da burocracia carlista que ameaça voltar ao poder em nosso município. Afinal, essa força política anacrônica, atrasada, violenta e que se orgulha da corrupção que pratica é muito pior do que o PT, mas, por ser fraca e destinada a desaparecer, é menos perigosa que o partido dos companheiros, que gozam do apoio popular maciço para favorecer principalmente os interesses do agronegócio, do grande capital e da sua burocracia partidária.
A união desses dois grupos traria sérios problemas para Pedro Rocha. Sobretudo, pela fato de que o segundo grupo possui ligações orgânicas com o povo e esteve à frente, nos últimos anos, das tentativas de reorganização do movimento estudantil, de criação de um movimento popular independente, de formação de um pensamento de esquerda na região e colaborou de forma muito próxima na organização do sindicalismo.
É possível que o pessoal das "origens do PT" possa estabelecer alguma unidade com essa nova força independente, popular e que tem, em boa parte, sérias tendências anti-partidárias e posições anti-eleitorais? Não se sabe. Curiosamente, não fazem parte desse grupo o PC do B municipal, que simplesmente, nos últimos anos, tem gravitado em torno do poder. A natureza do partido, no ambito nacional, é de lutar até a morte por cargos, empregos e de se comportar como um servo parasita que, em troca de umas moedas (no caso da UNE, na forma de alguns milhões) baixar a cabeça frente a qualquer governo. Se os seus participantes pretendem algo diferente, deveriam sair do partido. Ainda que isso signifique um preço alto, que os independentes estão pagando: não ter partido político, significa não participar da festa do ano que vem. Mas tem suas vantagens: está do lado da maioria do povo.

P.S. Modificamos essa postagem (Ver contribuição do advogado Jorge de prof. Jóia nos comentários)

Divulgação do filme "De Buriti a Pintada"

Foto acima: José Campos Barreto, Zequinha

Alguns problemas técnicos da internet - esse negócio que a gente usa, mas não entende direito - impediram que Gustavo Rocha postasse como comentário um texto propondo a organização da exibição do filme de Reizinho, "De Buriti à Pintada. Zequinha e Lamarca na Bahia".
Copiamos o comentário feito pelo camarada Gustavo no blog de Fábio Rosa e publicamos aqui. Desde já, o MVIVE está realizando um trabalho coletivo sobre o acontecimento histórico que chamamos de Movimento Camponês de Buriti Cristalino que contém textos de Flávio Dantas - feitos a partir de material bibliográfico e dos vídeos inéditos de Wiliam Carvalho (Wiliam de seu Adelmo, de Hidrolândia) -, José Nilton Santos Jr. e ilustrações de Nanarol. O material está em fase de preparação e é nossa contribuição à memória e luta desses revolucionários do povo que lutaram e foram assassinados nas Serras do Assuruá.


"Nesta segunda feira última(12/07/2011),tive o prazer de prestigiar a apresentação do filme-documentario "DO BURITI À PINTADA,Lamarca e Zequinha na Bahia",produzido por nosso amigo Reizinho,ocorrido no diretório do PT no bairro do rio vermelho,juntamente com presenças ilustres de doutores em história,direito,filosofia,ex-prisioneiros polítcos do periodo abordado,dentre outros que abrilhantaram uma roda de debate após a apresentação.

Na ocasião fiquei sabendo do interesse de Reizinho em apresentar o mesmo em uibaí,e que seria durante os festejos do aniversario canabrabense. Gostariamos de pedir a colaboração dos amigos do MViVe, Uibaí-noticias e texto, Celito Regmendes,na divulgação e intermediação do evento.Visto que, por coincidencia a primeira dama da nossa terra se encontrava no bairro e foi informada sobre o assunto. Mas, pelo que notei não houve muito interesse da parte.por outro lado,sabemos que o evento pode ser feito no grêmio, onde seria o espaço ideal (minnha opnião)e que teria um público mais direcionado.
Enfim, o que sabemos é que esse evento,de cunho cultural e educativo,deve sim ser apresentado em nossa cidade,com a finalidade de mantermos viva na mente das pessoas á história esquecida e escondida,de lideres que viveram,lutaram e morreram,tentando nos proporcionar dias melhores.

INTÉ!!!

(tentei postar o mesmo também no mvive más não consegui,então Fabio só pude contar com vc pra divulgar,pois acredito que com mais gente sabendo será mais facil de conseguirmos a colaboração da prefeitura,se poder e achar interessante é claro).como disse antes,se quiser pode criar um novo texto e ilustrar com o cartaz do filme.

15 de set de 2011

Voltar ao mouro

"Dessa vez, definitivamente, podemos dizer que o marxismo morreu como sistema filosófico, como alternativa política". Essa frase poderia ter sido escrita há uns dez anos, quando o Império do Terror despejava seus soldados pelo planeta, como um justiceiro que passava por cima de todo o direito internacional. Mas ela foi escrita no início da década de 1890. E hoje, mais uma vez, ela está ultrapassada e o pensamento do judeu alemão de cabelo crespo e pele morena, conhecido pelos amigos como "o Mouro", está entre os grandes interpretes do século XXI.
A crise econômica que abala o mundo, deixa a economia americana de joelhos, coloca a Europa à beira da depressão. Por outro lado, crises revolucionárias varrem o mundo árabe e ninguém sabe ao certo o que acontecerá em países como Egito, Líbia, Líbano, Iemen, Tunísia. Na Europa, greves gerais e quebra-quebras nas ruas da Grécia, Inglaterra, Portugal, Irlanda, Espanha e a ameaça da moratória da dívida grega pode abalar as economias de França e Alemanha, o que poderia levar à ação o movimento operário mais numeroso, educado e poderoso fora dos EUA. No Brasil, o ressurgimento de greves, rebeliões operárias, a continuidade da luta dos sem-terra, sem-teto, os movimentos indígenas-ambientalistas e um lento trabalho de formiguinha construído anonimamente em povoados, bairros e favelas de todo o país. "Um espectro ronda o mundo", o espectro de um "outro mundo possível". O de uma "sociedade civil auto-regulada", como dizia o revolucionário italiano Antonio Gramsci, proibido pelos seus carcereiros - com Mussolini à frente - de escrever Socialismo.
Mas o que é que esse filósofo alemão do século XIX tem a dizer pra nós, catingueiros da região de Irecê, em pleno 2011?
Se ainda não sentimos os efeitos dessa crise mundial, em virtude da relação do Brasil com a China, onde existe um oásis em meio ao deserto da crise mundial, podemos há muito perceber, na nossa cara, todos os dias, os efeitos destrutivos do "sistema sócio-metabólico do capital", na definição do filósofo húngaro, Istvan Mészáros. A crise da água representada pela destruição de nossas fontes de água potável, pela degradação dos rios Verde e Jacaré e pela incapacidade de abastecimento da barragem de Mirorós, são problemas causados pela dominação de um modelo econômico que privilegia o lucro privado imediato ao coletivo, ao ambiental, ao racional, ao social. A migração que expulsa a população jovem da região para ser mão-de-obra - qualificada ou não-qualificada - nas grandes cidades é causada pela divisão regional do trabalho que o capital nacional desenvolveu na nossa história. A corrupção que é uma marca dos políticos da região, se não é invenção do capital, é reforçada pela sua visão de mundo anti-pública, anti-coletiva, anti-humana.
Diante de todos esses problemas, não há dúvida que estamos às portas da barbárie. Mas uma polonesa que foi assassinada brutalmente pelos defensores da ordem capitalista em 1919, na Alemanha, Rosa Luxemburgo, já havia apresentado uma alternativa à catástrofe que o capital sempre teimava em repetir, de temos em tempos. Essa alternativa, tinha um nome: o socialismo. Ele continua na ordem do dia. Por isso, o velho mouro está de volta.

Fotos da 1º Trilha das Sete Voltas. Tiradas por Tales Wigino Pereira Lins







Faltam 10 dias para a próxima edição!

2ª TRILHA DAS SETE VOLTAS DE UIBAÍ


Divulgando...

2ª TRILHA DAS SETE VOLTAS DE UIBAÍ

CATEGORIA:

Moto Trilha

TRAJETO:

Sede => roças da Serra => descida das 7 Voltas => Riacho do boqueirão da Canabrava => Rua da Canabrava =>Prado => Riacho do Meio => Olho D´água => Boca D´água => Quixabeira => Grama => Zumba => Caldeirão => Fazenda => Gergelim => Mandacarú => Altamira => Hidrolândia => Sobriera => Formosa => Sede (ponto de chegada).

PROGRAMAÇÃO:

A 2ª Trilha das 7 Voltas de Uibaí acontecerá no dia 25 de setembro de 2011.
08:00 h - Abertura do evento, com apresentação do Hino Nacional e Municipal;
08:30 h - Palestra sobre preservação do meio ambiente;
09:00 h - Apresentações radicais com os mototrilheiros;
09:20 h - Volta de apresentação de todos os mototrilheiros participantes da Trilha, pelas ruas da cidade
09:30 h - Largada no Alto da Estrela (em frente a casa de Pelezinho)
13:00 h - Recepção dos trilheiros com almoço, som ao vivo e um vídeo da 1ª Trilha (2010).

Organização - Miguel e Abson

14 de set de 2011

Imagens da Conferencia de Cultura





Aqui estão algumas fotografias da Conferencia Municipal de Cultura que aconteceu em Uibaí há alguns dias na Casa Paroquial.

Aniversário de Emancipação de Uibaí 2011

Acima: João Ferreira, Pedro da Rocha e Djalma Bessa.


Atendendo a busca dos leitores por informações sobre os 50 anos do nosso município, aqui vão algumas informações.

* Canabrava foi fundada em 1847 e pertenceu ao município de Xique-Xique até 1958, quando foi desmembrado o município de Central (que era composto também por Jussara, P. Dutra e Uibaí).
* O principal líder político de Central, então, era o coronel Filintro Pires Maciel, de Maxixe de Central. Ele apoiou a candidatura de seu cunhado Pedro da Rocha Machado para prefeito e tinha o apoio do deputado federal Manoel Novaes, este era uma espécie de homem das obras, pois controlava as verbas da Comissão do Vale do São Francisco, a CODEVASF da época. O deputado conseguia poços artesianos, emprestava tratores e arrumava motor de luz para seus aliados.
* As eleições fraudadas deram a vitória ao candidato Cazuzão, José Peregrino de Souza. Pedro da Rocha tinha muitos votos em Jussara, P. Dutra e Uibaí.
* A perícia concluiu que houve fraude comprovada, mas se a eleição de Central fosse anulada, o grupo de Manoel Novaes perderia o vice-governador do Estado. Então, fez-se um acordo: Pedro da Rocha desistia do processo, o vice de seu grupo tomava posse e eles articulariam a criação do novo município.
* A partir de Canabrava é que saíram os fundadores de São Gabriel, Lagoa da Canabrava (P. Dutra) e Roça de Dentro (Central), além de outras centenas de povoados. A criação do município de Uibaí estimulou a criação do município de P. Dutra e de Jussara.
* O candidato da oposição a Pedro da Rocha foi Eliezer Rocha.
* A maioria dos vereadores eram da sede: João de André, seu Manin, João Ferreira, Domingão. Hidrolândia teve os vereadores Oliveiros e João de Artur, Boca D'água teve seu Dú e Quixabeira teve Zé Baixinho.
* O golpe de 1964 deixou o grupo de Pedro da Rocha na pior, pois Manoel Novaes era ligado a João Goulart, o presidente deposto. O deputado foi cassado e a oposição a Pedro se viu fortalecida pois Luís Viana Filho se tornou chefe da casa civil da ditadura de Castelo Branco.
* A política de conciliação de Antonio Carlos Magalhães, o outro homem forte da Ditadura na Bahia, permitiu que Pedro da Rocha não fosse cassado e terminasse seu mandato com força para indicar o sucessor.
* Uibaí foi emancipado e não tinha sequer o prédio da Prefeitura. Quando o segundo prefeito tomou posse, havia o CNEC, o plano de criação da CEU e algumas melhorias urbanas.
* Embora o primeiro governo tenha sido de vários avanços e muito bem avaliado, o que pode aparentar progresso nem sempre levava em conta o outro lado. Por exemplo: o próprio prefeito colocava entre suas realizações a construção de "aguadas em Laranjeiras". Porém, o processo implicou em cercamento das fontes de água e prejuízo nos rebanhos de caprinos. Famílias que tinham nessa criação parte importante de seu provimento, sofreram bastante no período. Também foi comum que os aliados do poder municipal grilassem, cercassem e se apossassem das terras do município de forma irregular e imoral. Daí que as terras que foram usadas em comum durante muito tempo pelos numerosos herdeiros de Francisca e Venceslau, Raimundo e Mariana e Gonçalo e Raimunda, foram monopolizadas por meia dúzia de fazendeiros.

P.S. Modificamos essa postagem após contribuição (ver comentários) do Prof. Celito

4 de set de 2011

157 anos de Riacho D'areia


No dia seis de setembro, aniversário da Vila, ocorrerão diversas atividades para relembrar a data de fundação de Riacho D'areia, desde a manhã até a noite.
Aqui, publicamos um fragmento de um texto do pesquisador Celito Regmendes sobre o assunto.

"Portanto, ao se falar em SERRANO na vila temos q nos reportar á década de 50 do século XIX qdo um deles, o senhor Raimundo Pereira Rocha de São Domingos do Severo( hoje do Seteba) pegando carona no q fizera seu cunhado Venceslau machado investe uma considerável soma de recursos e adquire( 1854) uma faixa de terra junto a do cunhado e dá-lhe o nome de RIACHO D'AREIA, nome do local onde tinha uma fazenda no assuruá.

Pra Riacho D'areia ainda nos primódios veio um amigo de infancia e de labuta de Raimundo, o serrano Joaquim Alves de Sousa, ele trouxe a esposa Joana Silva( dos Machado e dos "Sabaõ") e talvez um ou mais filhos, com isso, durante muitos anos o povoado teve apenas a presença dessas duas familias, Raimundo como chefe do clã Rocha-Alves de Sousa e Joaquim como agregado e parceiro. Defino tal período como o da 1ª FASE, fase da implantação e consolidação de Riacho D'areia . Cuidar de "brejos" nas grotas da serra, cultivar mandioca, milho e feijão de corda nas beiradas arenosas da Serra Azul e no vale do Riacho Baixão onde ficava as casas de moradia, e, pricipalmente na labuta com gado, pois Riacho D'areia, Uibaí, Barra do Mendes e outros povoados q são caatinga e serra ao mesmo tempo, nasceram na lógica da pecuária, criar gado era a atividade economica principal naquele período. Essa fase durou de 1854 a 1915."