26 de fev de 2010

2008 - Campanha em Defesa da Educação Pública


Relatório da reunião com professores e comunidade em Hidrolândia (21/novembro/2008)



No Colégio Edson Pires Maciel, aconteceu uma reunião com membros do Movimento Vicente Veloso e professores da Vila de Hidrolândia. Estavam presentes 24 professores que dão aulas nas escolas Riacho D’areia, Sossego da mamãe, Manoel da Nóbrega, Sobreira e Caldeirão.
A metodologia consistiu na identificação de problemas, na elaboração de propostas e na organização dos encaminhamentos. Após a abertura de Frank apresentando o Mvive e os motivos da reunião, houve a exposição de Janaina e começou a discussão.
A respeito do Ensino Infantil, Poliana, profª na Mão Fechada, a proximidade com o asfalto representa perigo para os alunos; as cadeiras são inadequadas para a faixa etária dos alunos; só existe papel e há completa ausência de material; o banheiro localiza-se fora da escola; a quantidade de alunos por sala é alta, sendo o número ideal de 15; não há eletricidade o que impede o uso de aparelhos de som, tv, dvd e há problemas nas janelas.
Luzia, profª no Sobreira, diz que não há faxineira, não há água encanada – o que impede o uso do banheiro –; não há outro material que não papel A4. As salas são de séries mistas, havendo uma sala de 1ª e 2ª, uma sala de 3ª e 4ª e uma sala de Educação Infantil. Há vezes, em que professores de Educação Infantil compram material com o próprio dinheiro.
Glória levantou o problema de alunos especiais: as grandes dificuldades, o despreparo dos professores e, às vezes, a presença de um número razoável – há casos de 4 – em uma sala. Sueli e outros ampliaram a discussão: há alunos com deficiência auditiva, que não falam, com comportamento violento – com exemplos de que cospem no rosto de colegas e professores. Ivanuza colocou que uma certa vez, um psicólogo foi à escola, mas não houve acompanhamento. Edilma colocou que é preciso que haja formação adequada. Frank e outros chamaram atenção para a necessidade de acompanhamento de outros especialistas, a exemplo de psiquiatras, psicólogos e psicopedagogos. Glória, Ivanuza, Luzia e outros chamaram atenção para a necessidade de conscientizar os pais da importância da escola, já que há casos de alunos que vão para os pais não perderem o bolsa-escola.
A partir daí, foram levantadas as seguintes reivindicações:

FORMAÇÃO DOS PROFESSORES PARA TRABALHAR COM ALUNOS ESPECIAIS
CONTRATAÇÃO DE OUTROS ESPECIALISTAS PARA ACOMPANHAMENTO DO TRABALHO ESCOLAR
RESPONSABILIZAÇÃO DA FAMÍLIA NO DESENVOLVIMENTO ESCOLAR
RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS DE FALTA DE MATERIAL
MELHORIA DA ESTRUTURA FÍSICA PRECÁRIA

A partir daí teve início uma discussão mais ampla, sobre problemas gerais da escola. Foi levantada a questão de que é preciso que haja participação dos pais na vida escolar. A educação familiar chega a alguns casos em que a mãe “mata o filho de bater” para “educá-lo”.
A carência de material é tamanha que só existe 1 mimeografo para Hidrolândia, Traíras e Sobreira. O Conselho Escolar só se reúne quando chega dinheiro Regina colocou que o PDE melhorou a situação. A prefeitura abandona a escola que só se pode ser mantida graças ao dinheiro do Estado, sendo que em novembro o material acaba. Não há formação digital/informática para os professores. Frank chamou atenção para a falta de segurança do material e Glória coloca que quando chove entra água na escola. A estrutura é problemática, havendo muito calor, problemas de luz no quadro e água entrando na escola durante as chuvas. Maria Helena pediu a mudança de lugar do quadro-negro e esta nunca veio: a mesma fez um abaixo-assinado com os alunos da 8ª série e enviou vários ofícios para a Prefeitura; esta mandou um mestre de obras, mas a reforma nunca foi efetivada.
Sueli, professora no Sobreira, reclamou das salas mistas. Os professores levantaram queixas da insuficiência das salas e da confusão na localização dos professores e na relação escola / prédio. O Edson Pires não é registrado e, portanto, não existe. O EJA do Riacho de Areia funciona no Edosn; a escola Sossego da Mamãe (educação infantil) funciona no Edson e o Manoel da Nóbrega funciona no Riacho da Areia.
Não há regularidade na merenda. Quando esta existe, não tem qualidade, não é adequada e muito menos nutritiva.
As escolas não são arborizadas. O Riacho de Areia parece um curral – tem um aspecto horrível – está precária, existe um banheiro para professores e alunos e a fossa está aberta há meses.
Frank propôs a horta escolar como espaço para aula de campo e melhoria da merenda com participação dos alunos. Carlos foi contrario, dizendo não acreditar ser possível uma horta mantida por alunos. Também se falou da necessidade de mais aulas de campo para estimular os alunos no conhecimento de sua realidade. Discutiu-se a proposta de um livro didático sobre o município (geografia e história); da possibilidade de trazer os idosos para dentro da escola para contar histórias e causos, falar sobre história regional e local. Também se falou da necessidade de trazer para dentro da escola poetas, cantores, contadores de causos de modo a aumentar a integração escola-comunidade.
Falou-se também da necessidade de envolver os pais e conscientizá-los da importância da escola, da ausência de tinta, da falta de acesso dos alunos a computadores e a formação adequada havendo ume estado de exclusão digital.
As escolas da vila de Hidrolândia só dispõem de uma máquina de xerox quebrada, de dois computadores e de impressoras sem tinta.
Edilma chamou atenção para a necessidade de novas disciplinas: educação agrícola e ensino religioso, sendo completada por Frank que propôs a filosofia e a educação política. Chamou-se a atenção para a evasão e para a necessidade de melhoria de Educação Física.
Desse modo, levantaram-se, a seguir, as seguintes propostas:

ARBORIZAÇÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
AUMENTO E MELHORIA DO MATERIAL ESCOLAR
CONSCIENTIZAÇÃO DOS PAIS DA IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO
CONTRATAÇÃO DE OUTROS ESPECIALISTAS PARA ACOMPANHAMENTO DO TRABALHO ESCOLAR
ESTRUTURA FÍSICA PRECÁRIA
FORMAÇÃO DOS PROFESSORES PARA TRABALHAR COM ALUNOS ESPECIAIS
INCLUSÃO DE DISCIPLINAS: FILOSOFIA, EDUCAÇÃO FÍSICA, EDUCAÇÃO AGRÍCOLA, EDUCAÇÃO POLITICA, HISTÓRIA DAS RELIGIÕES
INCLUSÃO DIGITAL PARA OS ALUNOS DE HIDROLÂNDIA
MELHORIA DA ESTRUTURA FÍSICA PRECÁRIA
REGULARIZAÇÃO DA DISPARIDADE ESCOLA / PRÉDIO
RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS DE FALTA DE MATERIAL
RESPONSABILIZAÇÃO DA FAMÍLIA NO DESENVOLVIMENTO ESCOLAR
RESPONSABILIZAR PREFEITURA
USO DA HORTA ESCOLAR
VALORIZAÇÃO DA REALIDADE LOCAL ATRAVÉS DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA REGIONAL E LOCAL E DO USO DE AULAS DE CAMPO

Uibaí, 25 de novembro de 2008.

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