17 de mai de 2011

Mudar o modelo salva a lavoura?



A Câmara Municipal de Uibaí não mudou apenas de dono na eleição de janeiro. Mudou de perspectiva. Todos aqueles que compareceram no dia sete de maio à apresentação teatral e musical do grupo de Pita, Ari e Tiú Rocha devem ter sentido o espaço do plenário da casa mais arejado, mais aconchegante. É o poder da arte. E os artistas de Uibaí e a nova mesa diretora encabeçada pelo vereador Davi estão de parabéns pela iniciativa.
Entretanto, o que não deu o que falar, mas mereceria ser objeto de debate era o conteúdo da fala do vereador Davi nas rádios regionais. As aparências chamam a atenção: implantar um novo modelo de gestão baseado na transparência, na ética, no bom uso do dinheiro público e no compromisso com a educação e cultura do povo catingueiro de Uibaí. Há quem queira até perceber nisso uma rivalização com o modelo autocrático e centralizador de Pedro Rocha Filho à frente da Prefeitura. Entretanto, o conteúdo fundamental ainda há de ser modificado na gestão da Câmara.
Se o assédio moral e o autoritarismo dos tempos do presidente Luís Machado são coisa do passado, assim como a sua postura canina de lambedor de botas da prefeitura, não podemos negar o avanço que ocorreu. Porém, vamos sugerir algumas propostas para uma nova gestão pública, que seja transparente e comprometida com a cultura. Mas também que seja democrática e participativa, palavras que estão ausentes do discurso do vereador Davi.
Primeiro, propomos que a Câmara faça uma parceria com a Prefeitura para usar o transporte escolar para trazer jovens e cidadãos da vila e dos povoados para a Câmara Cultural. A organização poderia ficar por conta de professores, lideranças e ativistas dos povoados e o transporte poderia ser rotativo: essa semana traz o pessoal de Poço, Boca D’água, Chapadinha. No outro evento, traz o pessoal de Caldeirão e Lagoinha, depois Quixabeira e Hidrolândia, e assim sucessivamente.
Segundo, propomos a equiparação do salário dos servidores da Câmara com o vencimento dos vereadores. Ou o salário mínimo dos primeiros sobe para os mais de três dos legisladores, ou os mesmos podem receber também o equivalente ao salário mínimo. Acreditamos que se a Câmara pretende deixar de ser um “cabide de empregos”, poderia começar eliminando os vereadores que estão lá pelos três contos embolsados sem esforço algum. Também aí se valoriza os servidores públicos.
Terceiro, propomos que o legislativo promova a construção de plebiscitos sobre temas importantes do município.
Por fim, propomos a realização de um ciclo de debates com participação de especialistas, intelectuais, lideranças políticas de situação e oposições sobre temas como saúde, agricultura, ecologia, cooperativismo, desemprego, etc.São ações que tornariam nossa Câmara motivo de orgulho dos cidadãos uibaienses e certamente dariam destaque à nossa cidade no terreno da cidadania. Afinal, os problemas de nossa sociedade não serão resolvidos somente por um modelo de gestão administrativa que seja eficiente e poupador de gastos públicos, mas por um modo de governar em que se “manda, obedecendo” comprometido com uma sociedade civil auto-regulada e com a emancipação humana.

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