2 de jul. de 2010

Pato x Rato: Rocha Machado ou Machado Levi ou A triste história da política em Uibaí





O primeiro prefeito local, que foi eleito em 1961, ao que os vestígios históricos indicam, possuía uma preocupação real com o povo e realizou importantes obras ligadas à educação e ao fornecimento de água e luz. Mas estamos falando de uma época em que a prefeitura não era “mina de ouro” e prefeito não era “chefe de gangue”.
Ao final de seu mandato, o primeiro prefeito entregou o poder de mãos beijadas em troca de um acordo e a partir daí foi intensificado o uso da prefeitura como fonte de enriquecimento ilícito de uma família e de seus aliados. Limitou-se a discussão política, com raros momentos de lucidez onde a verdadeira esquerda entrou em ação, numa disputa pelo poder protagonizada por essas duas famílias que já eram rivais antes de Uibaí ser município.
E é aí que o povo, que deveria ser o grande beneficiário do dinheiro público que é ele quem financia, passa a ser visto como uma horda de mendigos que se vendem às vésperas da
eleição e não merecem educação, trabalho, lazer ou atenção. A distribuição dos cargos administrativos em Uibaí segue o vergonhoso critério de parente do prefeito / partidário forte / cabo eleitoral e o item “competência” para realizar o trabalho sério em benefício do povo vai para o espaço de uma vez por todas. Com um grupo incompetente não é possível governar bem e é aí que a mudança fica com cara de coisa antiga e quem pensa se pergunta o porquê disso.
Em Uibaí, se você não é Machado, não é Levi, não mora no Centro da cidade, ou não é estudado, você não é visto como gente por grande parte dos que sempre detiveram o poder. Mas você sabe analisar, sabe perceber isso e deve pensar qual a melhor forma de mudar essa visão preconceituosa e infeliz que aqui reina há muitas décadas. Você trabalha, sofre, defende e ama essa cidade, mas é posto de lado como um penico que só é usado às vésperas das eleições. Parentes de líderes políticos que moram fora e não entendem nada sobre Uibaí é quem tem vez. E você, mesmo que tenha ideias interessantes, capacidade de trabalho e vontade de melhorar a cidade é posto de lado para dar boa vida a essas pessoas.
Isso porque você não estava se digladiando na campanha... Você não é cabo eleitoral... Você não é parente de quem tem um cargo.... Uibaiense... Trabalhador... Santos, Silva, Carvalho, de Jesus... Você está do lado de fora!

Cristianismo e Política



Este texto foi publicado no informativo do MVIVE, A Indaga, número 2, de dezembro de 2008.

s comemorações da Padroeira de Uibaí Nossa Senhora da Conceição levaram muita gente à Igreja Católica nos últimos dias: para quem ainda duvidava pastor mostra ter um rebanho ainda muito grande. O crescimento do protestantismo é elevado: enquanto o catolicismo só cresce em torno de uma instituição, o protestantismo cresce através de milhares de denominações pentecostais e neopentecostais. Mas existem diferenças entre catolicismo e protestantismo: os protestantes têm, de um modo geral, o pertencimento exclusivo ás práticas espirituais de sua Igreja. Os católicos, pelo contrário, tem uma conhecida “tolerância” em relação a outras práticas espirituais: católicos podem ser candoblecistas, umbandistas, espíritas-kadercistas. Acontece, todavia, que a Igreja Católica é detentora de uma hegemonia política e cultural.

Em nossa região a chegada do protestantismo foi conflituosa. Os primeiros evangélicos (protestantes e batistas) eram descendentes da família de Martinho Pires de Carvalho, fundador de Traíras. A partir daquele povoado houve uma expansão do protestantismo, desde o ano de 1907. Logo após, nos anos 1910, a disputa da liderança do povoado de Canabrava do Gonçalo (então, pertencente à Xique-Xique) se deu mediada por fatores religiosos: os dois candidatos a sub-intendente (que equivaleria hoje, mais ou menos, a sub-prefeito) eram Jóvito Pereira Machado e Bejamim Machado Miranda. O primeiro foi vitorioso e o principal argumento utilizado para “desmoralizar” Bejamim foi o fato de ele ser “protestante”. A vitória coube à Jove que não teve tempo para desfrutá-la.

Em um mundo quase completamente católico, ser protestante era um crime aos ouvidos de muita gente. Nos anos 1930-40, em Ipupiara, um pastor protestante quase foi queimado em uma fogueira em praça pública: a idéia foi do padre que estava no lugarejo. Bié, primeiro poeta uibaiense, dizia em seus versos “O Deus dos protestantes / é ministro estudado na Ponte Nova / que só crê no deus-dinheiro / mas na religião não dá as provas / por que a lei de Cristo é mais velha / e a de Lutero é mais nova”. Hoje, o preconceito contra protestantes é bastante reduzido se comparado com o existente contra religiões afro-brasileiras – o Candomblé e a Umbanda – que sofrem de uma “perseguição” velada que é, além de imoral e preconceituosa, ilegal.

Outro preconceito existente é entre cristianismo e esquerda. Muitos esquerdistas acreditam que todos os cristãos são conservadores e defensores do autoritarismo e muitos cristãos católicos e protestantes acreditam que todo revolucionário e esquerdista é ateu. É uma falsidade. Ao longo da história, o cristianismo foi utilizado tanto para a opressão quanto para a libertação. A Igreja Católica estabeleceu seu domínio sobre vários países durante toda a sua história e apoiou ditaduras: o exemplo mais conhecido é a simpatia entre o papa da época e os nazi-facistas Hitler e Mussolini. Hoje, o maior país protestante do mundo é também o maior imperialista e promove guerras, invasões e crimes em todo o mundo em nome de Deus, da democracia e da liberdade.

Porém, muitos cristãos lutaram contra a opressão em diversos momentos da história: Tomas Münzer e os camponeses alemães diziam que era preciso estabelecer o Reino de Deus aqui mesmo na terra, vivendo como os primeiros cristãos, em uma sociedade de igualdade entre todos e sem autoridade. “Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum” (Atos, 4:32), “então se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade” (Atos, 4:34-35). Lutero e os príncipes alemães usaram da força para matar Münzer e os milhares de camponeses que queriam por em prática os ensinamentos de Cristo.

No Brasil, cristãos vincularam-se aos movimentos de resistência à ditadura e na organização do povo: Paulo Stuart Writgh, um presbiteriano que era dirigente da Ação Popular Marxista-Leninista que foi preso, torturado e teve seu corpo desaparecido pela Polícia da Marinha era só um exemplo de militantes que faziam da libertação dos trabalhadores a sua missão cristã. Padres, pastores, missionários, leigos e bispos vinculados à Teologia da Libertação fizeram “a opção pelos pobres” e têm contribuído bastante nos movimentos populares da América Latina. Isso tem seu preço. O teólogo Leonardo Boff foi expulso da Igreja Católico por defender a “opção pelos pobres”. O pastor João Dias foi perseguido pela Igreja Presbiteriana do Brasil nos anos 60 por participar de um Congresso Cristo e a Revolução, em Recife. Eles seguiram Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados” (Isaías, 61:1)

Terá o Cristianismo um caráter ambíguo que permite diversas leituras? Ou será que Cristo era um revolucionário e os cristãos também devem o ser? A idéia de Deus é mesmo um instrumento de dominação? Ou será que a religião pode ser também libertária? Marx dizia que a “religião é o ópio do povo” no sentido de que o ajudava a suportar a dureza da exploração: será que ela também pode ajudar o povo a se libertar?

1 de jul. de 2010

O Novo Outro Lado



A rua Canabrava ou rua do clube é mais conhecida como “rua do outro lado”. Do outro lado do riacho? Do outro lado da cidade? Não sabemos precisar. Porém, sabe-se que foi nas margens do riacho Canabrava que começou, no fim dos anos 1840, o povoamento do município de Uibaí, São Gabriel, Central, P. Dutra e região circuvizinha imediata. A fazenda Canabrava pertencia aos casais Francisca e Venceslau Pereira Machado e Isabel (filha do casal) e José Pereira da Rocha (Zé Cazuza). Com o aumento demográfico e a chegada de migrantes, Canabrava cresceu, tornou-se povoado, ganhou uma igreja e um cemitério (1888) e, a partir do século XX, novas ruas. Daí surgiram, inicialmente, a Rua Nova e o Fundo da Marmita. Todavia, sobretudo, após a inauguração da Praça Nova e com a recepção de ondas migrantes que vieram em busca da "terra do feijão", é que houve uma nova configuração espacial da cidade.
Surgiu um novo "outro lado". Quem divide não é mais o riacho. Se tivesse vivo, o Riachinho, faria o papel da Avenida Presidente Dutra, o asfalto, que parte a cidade em duas. Uma parte, que se identifica como Rocha Machado, uibaiense autêntica, branca, católica-espírita, elitizada, universitária, cultural. Uma outra parte, o "outro lado", os "lá de baixo", são Machado pobres, Silvas, Carvalhos, Santos, de Jesus, Mateiros, Serranos, Nortistas, pretos, pobres, analfabetos, "de fora".
Todavia, não é abolindo a rua que separa que se resolve o problema. A divisão, embora se explicite geograficamente, é sócio-histórica. Há aqueles que tem grana, acesso à educação particular, saúde privada, carros, recursos. Há os que estão fora. Há aqueles que repartem o generoso leite da vaca azul em qualquer ocasião, em qualquer governo, que fazem especulação imobiliária, que pagam 70 reais para uma empregada doméstica fazer trabalho escravo. Há os que votam e, no resto do período, ficam esquecidos de saúde, da educação, do lazer, do saneamento. Há os que vivem de lucrar e os que lutam para sobreviver.
A divisão de Uibaí não é entre direita e esquerda, entre patos e ratos, entre amigos e inimigos do prefeito, entre quem mama e quem não mama na vaca azul. A diferença é entre ricos e pobres, entre trabalhadores e patrões, entre quem trabalha para sobreviver e quem vive para dar trabalho aos outros.
A “favela”, “lá em baixo” é um lugar geográfico, mas a classe trabalhadora é o novo outro lado de Uibaí!
A divisão também não simplesmente racial. Embora aqueles que são socialmente brancos por seguirem os valores e padrões étnicos brancos utilizarem do racismo como forma de dominação, dizer que a oposição é entre brancos e negros é um erro. De fato, não podemos desprezar que o "novo outro lado" cumpre um papel de resistência e reafirmação dos valores negros e tendam a assumir uma postura de autoafirmação. Mas dos dois lados é possível perceber origens complexas. Venceslau era mulato, filho de um português com uma africana. Casou-se com uma descendente de portugueses e índias. Seus descendentes misturaram-se com a família Pires Maciel ou Pires de Carvalho de português e índia, com os Ferreira dos Santos, mulatos, e com outras famílias. A ascendência portuguesa é marcada por judeus, marroquinos e árabes. Com a migração chegaram descendentes de negros, índios, portugueses, marroquinos, judeus, ciganos, etc. Como, então, dizer que existe uma divisão racial? Porém, culturalmente, há uma separação: entre os que são favorecidos pelo racismo e aqueles, do novo outro lado, que sofrem com agressões racistas. Agressões verbais e físicas na rua, na escola, no trabalho, no comércio, na política, no bar, na polícia.
O novo outro lado está quieto. Mas é só aparente. Quando se mover, será capaz de sacudir o "lado" do poder, do racismo, do capital, da opressão, da violência policial, da intolerância e da corrupção.

28 de jun. de 2010

São João de Uibaí: repensar


Os festejos juninos desse ano deixaram um clima meio estranho: por um lado, uma latente insatisfação de parte da população em relação a programação, falta de inovações, ausência de revitalização de certas tradições e originalidade. Por outro, uma apatia profunda. Ano passado, a bandeira de fim do São João de Uibaí e criação de uma festa de Santo Antônio - chamada espuriamente de São João Antecipado - foi motivo de revolta generalizada. Esse ano, a insatisfação ficou no "disse-me-disse", sem debate, sem proposições, sem ousadia.
Não está na hora de repensar o São João de Uibaí? As tradições juninas estão presentes de forma muito forte na cultura sertaneja e não é diferente em nosso município. O São João de Praça foi criado pelas entidades da sociedade civil com destaque para a Casa dos Estudantes de Uibaí em Salvador nos anos 1970. Somente depois de seu crescimento, do envolvimento de outras entidades e do gosto que a população tomou pela coisa é que ele foi apropriado pelo Poder Público Municipal que passou a monopolizá-lo. A participação popular das entidades foi diminuindo até tornar-se acessória na montagem de barracas e organização de brincadeiras.
Não estaria o São João Tradição de Uibaí perdendo o bonde da história? A falta de horizontalidade nas decisões tem causado esse estranhamento do "povo" em relação ao São João? Os festejos juninos de nossa terra precisam de uma síntese com outras tradições populares de nosso território - tais como a produção de milho, mandioca e manifestações tradicionais - para revitalizarem-se?
Ao certo, a solução para a insatisfação de parcelas populares não sairá da cabeça de nenhum iluminado e só pode ser fruto de discussão.

15 de jun. de 2010

Todo apoio aos servidores municipais de Uibaí em Luta!



O governo municipal é como um espantalho. Um espantalho, a gente bota na roça para espantar as pragas que vem destruir a colheita. Porém, com pouco tempo, as pragas começam a perceber que o espantalho é inofensivo, não se move. Daí, passam a proteger-se nele. Levam a comida para o seu chapéu, do alto de onde tem um excelente campo de visão. Enquanto isso, o agricultor fica iludido. Pôs o espantalho e confia que o mesmo afasta as pragas. Ao invés de acordar cedo e ir pegar as pragas desprevenidas com sua espingarda, o pobre agricultou perde a sua colheita inteira, pois deposita sua confiança no espantalho que só está a aumentar as suas perdas colaborando com as pragas.

Essa é a avaliação que se pode ter do atual governo municipal. Um espantalho! Cidadãos e cidadãs acreditaram que o PT poderia afastar as pragas dos cofres públicos. Todavia, a experiência tem mostrado que as pragas continuam lá, acrescentando uma vermelha e bem grande. Perigosa, por que conseguia iludir o povo. Agora, não mais. O povo já percebeu que todos os governos de empresários ricos e burocratas carlistas e petistas (os seguidores do novo cabeça branca da Bahia) vivem de parasitar o cofre público, sugando o dinheiro do povo. E parte do povo, organizada no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Uibaí já começa a fazer o que é certo. Lutar para acabar com todas as pragas, estudadas ou analfabetas, da direita ou da “esquerda”, inteligentes ou burras. E a paralisação histórica dessa segunda-feira será, com certeza, lembrada como um dia de luta do povo trabalhador dessa terra por democracia, justiça e liberdade.

Todo apoio aos servidores municipais de Uibaí em Luta!

Movimento Vicente Veloso, 14 de junho de 2010. (82 anos do nascimento do revolucionário latino-americano Ernesto Che Guevara)

São João de Uibaí


Divulgando nossa maior festa popular e desejando que ela melhore sempre!

NOSSA POLÍTICA


Sim, fazemos política. Não podemos negar. Somos um grupo político que pretende transformar a correlação de forças atualmente existente. Mas nossa política é particular. Talvez até anti-política.

Nossa política é do movimento popular e visa convencer e mostrar ao povo que o poder lhe pertence e deve ser usado por ele e não entregue a “representantes”.

Nossa política é anti-política por lutarmos contar o Estado, que na nossa visão, é um instrumento de opressão e de desorganização do povo, independente de quem está no volante e das suas boas intenções. Nossa política baseia-se na proposta de destruição desse Estado opressor e na construção de um novo modo de governo, baseado na associação popular.

Nossa política não é representativa. Não dizemos “confiem na gente que faremos o certo”. Preferimos dizer: não somos eleitores, somos cidadãos. Façam conosco. Não concordam, façam diferente. Mas façam vocês mesmos.


Nossa política não é de heróis. Os semi-deuses e os santos existem no mundo da ilusão. E se pessoas comuns parecem-se com eles é porque alguém está sendo enganado e tem gente se “dando bem” tirando vantagem disso. Temos nossos símbolos de luta: Vicente Veloso, que não esperou um paraíso de sonhos cair do céu, mas que lutou por sua liberdade aqui na terra.

Nossa política é de convencimento, de conscientização, de formação.

Existe a política deles: de cargos, dinheiro sujo, palanques, festas, corrupção, marketing, desmando, humilhação, máfia, autoritarismo.

Não gostamos desse tipo de política.

Queremos ser a diferença.