30 de mar de 2011

Povo é inseto?


Povo parece inseto. Povo, aqui, significa gente trabalhadora, sofredora, sem grandes atributos de status, sem nomes nobres, enfim, povo pobre.
Inseto? Não se ofendam, calma. Tudo tem seus dois lados.
Povo parece inseto porque, isolado, gosta de se esconder, de fugir, de não enfrentar. Os motivos são vários: medo de ser esmagado, covardia, falta de dignidade ou mesmo vontade de ser aquele que está lá em cima, esmagando, humilhando, botando pra fuder. Tem gente que acha isso lindo. Até mesmo, há quem faça isso por uma certa "esperteza": ora, vou enfrentar quem é mais forte do que eu pra ser esmagado? Que nada! Vou ficar aqui na minha. Mas isso é uma esperteza que só vale no curto prazo. Fugir pra salvar a vida. O matemático da novela "Com meus olhos de cão" de Hilda Hilst diz de forma bem resumida a frase que fundamenta essa forma de ser povo-inseto-isolado: "Por calar é que tenho meu pão e minha vida".
No médio e no longo prazo, porém, a esperteza vira idiotice. Para quem acredita que é preciso lutar para as coisas melhorarem, é claro. Aí é preciso lembrar do filme Besouro de João Daniel Tikhomiroff, em que o capoeirista jovem pergunta ao mestre: "Meu pai, eu morri?". O preto velho, em sua sabedoria, responde: "Besouro, morrer é ficar debaixo da bota dos outros".
Mas há a outra dimensão do povo-inseto. A revolução árabe - não diziam que as revoluções eram coisa do passado? - mostraram isso a quem quis ver. Se há unidade de objetivos, coragem e luta, o povo-barata pode evoluir, rapidamente, para um tipo diferente de inseto, como por exemplo, o inchú.
Ah, amigos! Quando o povo-inchú se assanha, não há nada, absolutamente nada que possa pará-lo.

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