27 de mar de 2011

Projeto para Uibaí


O Movimento Vicente Veloso em sua fase de reorganização propõe a construção coletiva e democrática de um projeto político popular de município. A discussão está em fase inicial e visa a elaboração de algumas propostas de intervenção e transformação da realidade em busca de uma alternativa ao modelo destrutivo-autoritário-excludente que está posto.
Para fomentar a discussão e reflexão, estamos publicando um documento da Associação dos Estudantes Universitários e Secundaristas de Uibaí, de 2007 e que contem algumas premissas interessantes (algumas, visionárias).
A discussão está aberta.



  1. Construir um projeto de desenvolvimento social da agricultura em nossa região;

Há um círculo vicioso em nossa região na relação entre política e economia: a pobreza da população trabalhadora é utilizada pelos políticos nas eleições: trocam-se votos por feijão, arroz, cachaça, remédios. A política autoritária, excludente, conservadora e violenta se sustenta na pobreza e na exploração dos trabalhadores e precisa conservar esta para se conservar. A política precisa da pobreza. Como a política é um negócio, o dinheiro investido nas eleições precisa ser retomado com margens escandalosas de lucro durante a gestão. Assim, sem investimentos infra-estruturais, sem projeto de governo – porque o governo é um projeto pessoal de enriquecimento e poder – a economia fica a deriva da concorrência externa que é selvagem. A economia local trava, não se desenvolve, não gera renda nem postos de emprego e amplia a miséria, a mendicância. Sem meios de vender sua força de trabalho, a população trabalhadora fica sujeita aos ricos com consciência social, ao assistencialismo, aos programas do Estado e à rapina dos políticos. Portanto, faz-se extremamente necessário libertar os jovens, as mulheres e os homens que vivem do trabalho no campo e na cidade da pobreza e da dependência em relação aos políticos. Isso só é possível através de um projeto de desenvolvimento da agricultura em nossa região capaz de fortalecer a agricultura familiar, estimular o cooperativismo e criar postos de trabalho para os jovens.

  1. Reconstruir o Grupo de Cidadania de Uibaí;

A cidadania é um conceito liberal da Teoria do Estado que é usada largamente na política. Segundo essa teoria, o Estado existe para garantir o bem-comum, evitar a guerra de todos contra todos e proteger a propriedade, a liberdade e a democracia. O Estado (composto pelas policias, Forças Armadas, Poder Judiciário, Poder Legislativo, Poder Executivo, Educação Pública, Saúde Pública, Sistema Carcerário, etc.) tem por função proteger os cidadãos. Cada cidadão tem direitos e deveres para com o Estado. Essa teoria mascara a realidade. Na verdade, o Estado existe para evitar que as classes sociais (burguesia, trabalhadores, classe média) se destruam, ou melhor, para evitar que as classes sociais que estão sendo exploradas e oprimidas pelas classes dominantes se revoltem. Não existem cidadãos. Existem classes sociais. O Estado protege a classe dominante (as que tem propriedade, as que tem posses, as que tem bens) e reprime e disciplina as camadas populares. Por isso, Polícia, Cadeia, Condenações, Péssima Educação e Saúde Públicas são para os trabalhadores. Vinhos caros, cargos no Senado, no Congresso, nos Ministérios, Carros de Luxo, Viagens, Férias são para as classes dominantes. Contudo, a prática mostrou que o Grupo de Cidadania foi muito importante em Uibaí para conscientizar seus participantes e a população em geral. A sua experiência mostra que os trabalhadores precisam se mobilizar para conquistar seus direitos, que é preciso muita paciência e perseverança para conquistar os objetivos coletivos. A sua experiência mostra que o Estado é uma forma de opressão das camadas populares, mas que é preciso lutar contra ele por dentro e por fora dele. Portanto, é preciso apoiar as iniciativas de rearticulação do Grupo de Cidadania de Uibaí.

  1. Movimento de luta pelos direitos trabalhistas dos servidores municipais;

A libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores” Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), revolucionários alemães

O revolucionário italiano Antonio Gramsci (1891-1937) dizia que a democracia em seu país era uma farsa. Porque deram o direito ao voto aos trabalhadores rurais, mas não deram terra. Sem terra os trabalhadores não tinham liberdade política e dependiam de quem tinha terra para escolher seu voto. Em nossa região acontece algo semelhante. Houve uma mudança. O concurso público criou um corpo municipal de funcionários que tem liberdade política. Vivem de seu próprio trabalho e não precisam dar satisfação do que pensam sobre a política. Assim, eles têm condições mais favoráveis para lutar por seus direitos. É fundamental apoiar as lutas por direitos que surgirão. Para isso apoiaremos as iniciativas de organização de uma associação em defesa dos direitos trabalhistas dos servidores municipais.

  1. Formação de lideranças populares;

Sem teoria revolucionária não existe movimento revolucionário” Lênin, revolucionário russo (1871-1924)

O acesso às Universidades propiciado através das Casas de Estudantes de Uibaí permitiu a muitos jovens das camadas trabalhadoras de Uibaí a formação profissional. Mas também foi importante enquanto espaço de formação política e teórica. A teoria é a reflexão sobre a prática. A prática é a intervenção do ser humano no mundo. Toda teoria é uma prática e toda prática implica numa teoria. Teoria sem prática é palavrismo. Prática sem teoria é voluntarismo. Ou seja, muitas vezes, ter boas intenções, mas encurtar o caminho do inferno. As teorias estão em toda parte. Há teoria nos ditados populares, nos causos, na sabedoria popular, na religião popular... há teoria até mesmo na Universidade. Nas Universidades há conhecimentos que não são fáceis de se adquirir, mas que podem ser muito úteis para os trabalhadores nos seu dia-a-dia e o destino final da teoria deve ser a prática. Por isso, é fundamental estruturar ao lado dos movimentos sociais, do sindicato, das associações comunitárias, paróquia, igrejas e quem mais tiver interessado um curso de formação de lideranças populares. Não se vão formar líderes. Mas oferecer aos líderes populares já existentes teorias que eles até então não tiveram um acesso mais sistemático. É espalhar conhecimento para que os trabalhadores usem essa arma a seu favor. Estudar, sistematicamente, histórias das lutas sociais, questão agrária brasileira, cultura brasileira, Estado, movimentos sociais, etc.

Aeusu gestão 2007-2008 Participação e Luta!

8 de outubro de 2007

3 comentários:

  1. 1-essa politica ja enraizada em nossa região,esse circulo vicioso que existe,e é visto com clareza em uibai,num jogo em que se troca voto por cesta basica,cacahça,etc.acredito que hà culpa nos dois lados:
    partindo do pré suposto que ninguém erra sozinho,devemos reconhecer,que o nosso povo é quem sustenta e aceita essa situação.nossa gente ta viciada,em tudo que precisar,pedir a algum líder político(vereador,prefeito,cabos eleitorais,etc),ai se não consegue,só depois se toma outra providencia.
    logo,após as eleições,ninguem se sente no direito de cobrar nada,pois ja teve seu pagamento antecipado(empregos,favores diversos,etc),isto é,aqueles que almejam(enchergam) algum beneficio social,já estão amordaçados.e o pior,e que há também,quem que por falta de informação(penso eu)diz:eu quero é o meu!porra de beneficio!!e assim por diante.
    e como incentivo,ainda temos essa forma de politica reforçada pelo programa federal "bolsa esmola" e afins.paleatórios,ou para alguns,claramente compra de votos.
    então precisamos sim de um projeto como o acima citado,como também de mais informação e conscientização do eleiorado mais jovem,pra que no futuro a cara da politica de uibai e região seja outra.

    2-concordo plenamente com a visão de estado:
    onde o mesmo existe pra humilhar e reprimir aqueles que pagam seus altos salarios,ou mesmo bancam suas viagens e seus vinhos caros etc.
    pois nesse sistema operante,quem paga a conta sempre esta a margem de qualquer beneficio.
    reconstruir o grupo de cidadania de uibai, rearticulando suas ações e iniciativas,seria de fato o melhor se não o unico meio de reverter o quadro geral por vocês citado.

    3-a libertação dos trabalhadores através do concurso,já quebra de vez essa dependencia politica,e esse ja ainda existente "voto de cabresto" digamos assim.onde a familia inteira vota num determinado candidato pra defender o emprego dos pais ou parentes.
    somente com a abertura de novos concursos,encorpando cada vez mais o quadro de servidores legais e com voz ativa,é que com certeza teremos um movimento de luta pelos direitos trabalhistas com muito mais força.logo,seremos ouvidos e atendidos pelos gestores que só favorecem o trabalhador,quando estes se unem e vão as ruas com força e perceverança.cumprindo com seus deveres,mas também prontos pra cobrar e lutar por seus direitos.

    4-com a formação ou informação aos lideres ja existentes,através de teorias,conhecimentos,e exemplos de lutas sociais que os mesmos ainda desconhecem,com certeza estes rumarão com mais clareza,facilidade e determinação,semeando ideias e ideais,recrutando assim cada vez mais companheiros avídos e dispostos a encararen esse refrega por dias melhores.

    CONTRUINDO UM PROJETO DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL,VOLTADO PARA AGRICULTURA,CIDADANIA E DIREITOS TRABALHISTAS,O SUCESSO SERÁ INEVITAVEL.
    GOLPEANDO ASSIM,IMPIEDOSAMENTE ESSE MODELO DESTRUTIVO,AUTORITARIO,EXCLUDENTE CITADO,QUE TANTO TEM SUGADO A ESSENCIA E O TRABALHO DO POVO DE NOSSA REGIÃO.
    SUCESSO AOS COMPANHEIROS!!!

    INTÉ....

    ResponderExcluir
  2. TAÍ UMA BOA ALTERNAIVA.
    QUEM SABE COM APOIO DA PREFEITURA....

    Contribuir para preservação da biodiversidade do bioma Caatinga, divulgando uma nova tecnologia que utiliza energia limpa como alternativa sustentável para o preparo de alimentos. Esse é objetivo do projeto “Fogão Solar”, do Mata Branca, programa da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa ligada à Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir).

    O projeto vem transformando o sol em aliado dos sertanejos moradores de Itatim, distante 220km de Salvador. No mês de março, foi realizada a terceira e última ‘Oficina de Construção de Fogão Solar’ no município, capacitando para construírem seus próprios fogões cerca de 50 pessoas das localidades de Felipe Velho, Monte Alto, Lagoa de Tanquinho, Capoeiras, Lagoa do Canto, Cabaceiras, Mendes e Duas Pontas.

    De acordo com a técnica do projeto Mata Branca, Andréia dos Santos Sousa, o projeto traz diversos benefícios para os moradores da zona rural. “O fogão transforma a irradiação solar em calor para o preparo de alimentos, a energia é gratuita e abundante, e não há chamas, fumaça, poluição atmosférica, incêndios e explosões”, explicou.

    Ainda segundo Andréia, o fogão solar não traz benefícios somente para quem usa, já que representa uma contribuição inestimável à fauna e à flora, hoje tão comprometidas com o desmatamento inconsequente e predatório na busca de lenha, gravetos e materiais outros destinados à produção de energia térmica. “Cerca de 30% da madeira retirada da caatinga transformam-se em lenha. Utilizando o fogão solar, será possível economizar até 55% dessa lenha”, salientou.

    FOGÃO SOLAR: Uma alternativa ao uso da lenha

    Os moradores da Zona Rural de Itatim têm a lenha como sua fonte de energia para preparação de alimentos, provocando um sério desequilíbrio ambiental e acelerando a destruição do bioma caatinga. Vítima da exploração predatória e desordenada, a maioria da madeira consumida vem de florestas remanescentes desses ecossistemas, que ainda não possuem planos de gestão sustentável, ocasionando degradação ambiental e risco de desertificação.



    Esta prática vem sendo utilizada desde as gerações passadas, de forma desordenada e indiscriminada, sem nenhuma técnica de manejo. E foi, até o momento, a única alternativa economicamente viável para essas famílias, em sua maioria de baixa renda. Elas são famílias estão vulneráveis a doenças, principalmente respiratórias, devido à concentração da fumaça dentro do ambiente doméstico, que é uma séria ameaça para a qualidade de vida, sendo as crianças as mais afetadas.



    Nas casas desses moradores, as paredes próximas ao fogão de lenha e as panelas utilizadas para aquecer os alimentos ficam pretas devido às partículas de fumaça que nelas se fixam, diminuindo o tempo de durabilidade.



    O uso do fogão solar é uma alternativa social e economicamente viável, uma vez que será reduzido o uso da lenha, e através da implantação deste subprojeto, as famílias obterão mais uma alternativa de geração de renda, uma vez que estarão qualificadas na produção do fogão solar.

    retirado do jornal "tribuna da bahia".

    INTÉ....

    ResponderExcluir
  3. Bastante interessante. Acho que essa proposta poderia ser juntada com outras como a da permacultura, da agencia mandalla e das cisternas. Uibaí infelizmente é um lugar onde novas tecnologias alternativas são vistas com desconfiança. Mas precisamos teimar igual jegue brabo.

    ResponderExcluir