11 de ago de 2010

Se o Vereador é um trabalhador, eu sou o quê?


Publicado no informativo A Indaga nº 03. Em tempos de CPI em Uibaí, vale a pena se perguntar para que serve o Vereador?


Não é a toa que o cargo de vereador é tão concorrido: ganham um subsídio de R$ 3.031,88 (três mil, trinta e um reais e oitenta e oito centavos) para participar das sessões na Câmara Municipal uma vez por semana, fiscalizar o Poder Executivo e apresentar projetos que beneficiem a população. Seria muito bom se isto realmente acontecesse.

O que vemos nas Câmaras Municipais de Vereadores são disputas entre duas facções, oposição e situação, mais se parecendo mercados de barganha do que assembleias legislativas. Lá os interesses dos grupos políticos são negociados e o bem-estar da população deixado em segundo plano.

O subsídio dos vereadores parece absurdo. Mas, péra aí! Estas pessoas que se candidatam ao cargo de vereador não estão interessadas no dinheiro estão? Nos discursos durante as campanhas eleitorais alguém que lê este texto já ouviu algum candidato a vereador se referir ao pagamento referente ao cargo? A palavra que nós ouvimos sair da boca dos aspirantes a vereador é trabalho, trabalho, trabalho. A palavra dinheiro no discurso não aparece, os interesses do povo são sempre colocados em primeiro lugar. O candidato assume a postura de uma pessoa preocupada com o bem estar da população, humilde e despreocupado em relação a dinheiro. Mostram-se dispostos a dedicarem-se ao cargo que almejam como o padre dedica-se ao sacerdócio, dizem que tomarão para si os problemas do povo.

Se os vereadores não se preocupam com o dinheiro que vão receber, se o que os motiva a ocupar o cargo é apenas a preocupação com o desenvolvimento do município, por que ganhar tanto dinheiro sem trabalhar? Se retirássemos os subsídios dos atuais vereadores de Uibaí eles pouco sentiriam, pois não ocupam uma vaga na Câmara Municipal por esta razão, possuem motivos nobres para estarem lá, além do mais todos têm como se manter, afinal não foram vereadores durante a vida inteira, já ganhavam a vida de alguma forma antes de serem eleitos. Acredito que não se esqueceram dos discursos de campanha em que não se mostravam políticos profissionais, mas voluntários na defesa do povo.

Vejamos a injustiça que há por traz da remuneração dos vereadores, de maneira simples apenas comparando-o com os salários estimados de outros trabalhadores que compõem a população do nosso município: Um bom pedreiro ganha em torno de 1.300 reais por mês, seu servente, metade disto. Um agricultor trabalhando como diarista ganha em torno de 400 reais mensais. O salário de uma empregada doméstica varia muito (de acordo a condição financeira e consciência do patrão) ficando compreendido entre 70 reais e um salário mínimo. Poderíamos aqui mencionar os salários de uma infinidade de profissionais que realmente trabalham e trabalham duro, sem direito a férias, décimo terceiro salário ou fundo de garantia por tempo de serviço – seus salários, na imensa maioria das vezes, não chegam a metade dos R$ 3.031,88 (três mil, trinta e um reais e oitenta e oito centavos!) pagos aos “nossos” vereadores. O trabalho que eles estão desenvolvendo em nosso município, você esta vendo.

Quem trabalha mais? Você ou eles?

Quem ganha mais? Você ou eles?

Dá a impressão de que você não ganha o que merece e eles não merecem o que ganham.

Se os subsídios dos vereadores são imorais, injustos e desnecessários, por que não reduzi-lo ao valor de um salário mínimo?

Um Projeto de Lei de iniciativa popular pode fazer isto.

Se os vereadores ganhassem o mesmo que um trabalhador de verdade ou menos um pouco do que alguns, nas próximas campanhas eleitorais estaríamos livres de ouvir tantas mentiras. Para muitos destes mentirosos a política passaria a não ser mais tão atrativa. Na primeira sessão após a posse dos novos vereadores lavaríamos a Câmara com água, sabão e desinfetante.

Aguardemos e guardemos nossa indignação para o momento oportuno!

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